Meio Ambiente
Rio Negro recua quase 1 metro em uma semana e atinge 22,95 metros em Manaus
Rio Negro desceu 94 centímetros em sete dias na capital, mas monitoramento do SGB aponta cotas dentro do padrão para o período
Foto: Divulgação
A Bacia do Rio Amazonas segue em ritmo constante de vazante em função da escassez de chuvas registradas nas principais sub-bacias da região. Apesar do recuo dos leitos, a maioria dos pontos de monitoramento no estado do Amazonas ainda mantém cotas dentro da média esperada para o período. A exceção crítica fica por conta do rio Branco, em Roraima, que já opera abaixo das mínimas históricas para esta época do ano.
De acordo com o 36º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), o rio Negro atingiu a cota de 22,95 metros em Manaus. O volume representa uma redução de 94 centímetros no acumulado de uma semana, ritmo considerado dentro dos parâmetros normais pela equipe técnica do órgão.
Comportamento das sub-bacias e calhas do estado
O ritmo de descida refletiu em diferentes calhas de navegação e escoamento do Amazonas ao longo dos últimos sete dias:
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Calha do Solimões: Em Tabatinga, o nível recuou 26 cm, alcançando a marca de 3,26 m. Já em Manacapuru, ponto estratégico para a navegação em direção à capital, a retração foi mais acentuada: queda de 99 cm na semana, fixando o leito em 13,80 m.
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Calha do Purus: A estação de Beruri registrou uma das maiores variações semanais do estado, caindo 1,10 metro e chegando a 14,65 m. No Acre, o rio Purus recuou 9 cm em Rio Branco (1,64 m).
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Calha do Madeira: Em Humaitá, o rio desceu 96 cm na semana, registrando a cota de 11,38 m. Já na cabeceira, em Porto Velho (RO), o nível caiu 43 cm, batendo 3,71 m.
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Calha do Amazonas: O curso principal do rio registrou queda de 86 cm no Careiro (10,80 m) e de 76 cm em Itacoatiara (9,06 m).
Alerta em Roraima
Ao contrário do Amazonas, a calha do rio Branco apresenta situação hidrológica atípica e preocupante. Em Boa Vista (RR), a descida de 18 cm na semana levou o nível a 1,18 m — marca severamente abaixo das mínimas históricas para o mês. Em Caracaraí (RR), o leito recuou 35 cm, atingindo 1,73 m.
Os dados utilizados pelo SGB são coletados por meio da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), sob supervisão da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O monitoramento contínuo das cotas e o mapa de riscos atualizado do sistema estão disponíveis na plataforma do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).
Monitoramento industrial e o debate sobre a “taxa de seca”
O ritmo da vazante é acompanhado de perto pelo setor produtivo, diretamente dependente das hidrovias para o recebimento de insumos e o escoamento da produção do Polo Industrial de Manaus.
Os níveis dos rios impactam diretamente a logística e os custos do transporte marítimo, pauta que ganhou destaque após a área técnica da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) apontar irregularidades na cobrança da Low Water Surcharge (LWS), a chamada “taxa de seca”. Ao todo, sete armadoras já anunciaram sobretaxas que chegam a quase R$ 18 mil por contâiner.
Segundo o parecer, os armadores não demonstraram custos extraordinários que justificassem a sobretaxa em 2025, além de o rio Negro ter permanecido acima do nível crítico de 17,70 metros — parâmetro de referência que realmente compromete a navegação de contêineres —, abrindo caminho para que empresas afetadas solicitem o ressarcimento dos valores pagos.

