Economia
Cesta básica recua nas capitais do Norte em julho após altas registradas no primeiro semestre
Palmas registra maior recuo, de 7,38%, enquanto Porto Velho tem a maior alta acumulada no ano, de 15,68%
A cesta básica ficou mais barata em julho nas sete capitais da Região Norte pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O resultado muda o cenário econômico registrado em junho, quando quatro capitais da região acumulavam aumentos superiores a 15% no primeiro semestre.
Em junho, Palmas tinha a cesta mais cara do Norte, com R$ 790,23, seguida por Belém (R$ 759,41), Boa Vista (R$ 753,09), Manaus (R$ 732,90), Macapá (R$ 717,46), Rio Branco (R$ 704,28) e Porto Velho (R$ 698,01).
Um mês depois, todos os valores recuaram. Palmas continuou com a cesta mais cara da região, mas passou a custar R$ 731,89. Boa Vista ficou em R$ 730,74, Belém em R$ 724,10, Macapá em R$ 713,29, Manaus em R$ 697,80, Rio Branco em R$ 692,04 e Porto Velho em R$ 684,83.

Queda em julho muda cenário regional
A redução foi registrada em todas as capitais do Norte. Palmas teve a maior queda, de 7,38%, seguida por Manaus (-4,79%), Belém (-4,65%), Boa Vista (-2,97%), Porto Velho (-1,89%), Rio Branco (-1,74%) e Macapá (-0,58%).
O resultado contrasta com junho. Naquele mês, Boa Vista teve a maior alta entre as capitais brasileiras, com avanço de 3,28%. Palmas subiu 3,01% e Rio Branco, 2,20%. Manaus registrou alta acumulada de 18,13% no primeiro semestre, enquanto Porto Velho acumulava 17,91%, Palmas 16,62% e Boa Vista 15,48%.
Com a queda de julho, os percentuais acumulados desde dezembro de 2025 recuaram em todas as capitais. Porto Velho passou a registrar alta de 15,68%, Manaus 12,47%, Boa Vista 12,05%, Rio Branco 10,53%, Macapá 9,54%, Belém 8,63% e Palmas 8,01%.
Porto Velho tem maior alta acumulada
Porto Velho passou a apresentar a maior alta acumulada da Região Norte em 2026, com 15,68%. Apesar disso, a capital tem a cesta mais barata entre as sete cidades pesquisadas, com valor de R$ 684,83 em julho.
Palmas está no extremo oposto. A capital registra a cesta mais cara da região, de R$ 731,89, mas apresenta a menor alta acumulada do ano, de 8,01%. A diferença entre os dois valores é de R$ 47,06.
Manaus aparece com o segundo maior avanço acumulado, de 12,47%. A cesta ficou em R$ 697,80 em julho, abaixo dos R$ 732,90 registrados em junho.
Feijão continua com preço elevado
O feijão carioca foi um dos principais fatores de pressão sobre a cesta durante o primeiro semestre. Em junho, o produto subiu 18,92% em Manaus, 18,38% em Palmas, 7,82% em Boa Vista, 6,01% em Belém e 4,38% em Macapá. O Dieese relacionou o movimento à redução da área cultivada e aos efeitos das condições climáticas sobre as safras.
Em julho, o comportamento mudou em parte das capitais. O feijão caiu 2,94% em Belém, mas subiu 5,25% em Boa Vista, 4,22% em Manaus, 5,49% em Palmas e 1,66% em Macapá.
No acumulado de 12 meses, o produto continua entre os principais responsáveis pela pressão sobre os preços. O feijão carioca subiu 63% em Belém, 62,26% em Macapá, 55,32% em Manaus, 54,72% em Palmas e 37,06% em Boa Vista.
Peso sobre a renda
Em julho, o trabalhador que recebe o salário mínimo precisou dedicar, em média, 96 horas e 27 minutos de trabalho para comprar a cesta básica nas capitais da Região Norte.
O comprometimento da renda líquida ficou:
- Palmas (TO): 48,81%
- Boa Vista (RR): 48,73%
- Belém (PA): 48,29%
- Manaus (AM): 46,54%
- Rio Branco (AC): 46,15%
- Macapá (AP): 45,76%
- Porto Velho (RO): 45,67%
Os percentuais consideram o salário mínimo de R$ 1.621, descontada a contribuição de 7,5% para a Previdência Social. Em todas as capitais, a cesta básica consumiu mais de 45% da renda líquida do trabalhador em julho.
