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Cesta básica sobe mais de 15% em quatro capitais do Norte no ano

Manaus tem uma das maiores altas do país no primeiro semestre, enquanto feijão pressiona preços dos alimentos básicos na região

Foto: Valdo Leão / Semcom

A Região Norte encerrou junho com avanço nos preços da cesta básica. Embora nenhuma capital da região esteja entre as mais caras do país, os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostram que a inflação dos alimentos básicos ganhou força ao longo de 2026.

Das sete capitais nortistas pesquisadas, quatro acumulam alta superior a 15% no primeiro semestre. Manaus aparece entre os maiores aumentos do país, atrás apenas de Fortaleza e Cuiabá.

No levantamento de junho, Palmas registrou a cesta mais cara da região, a R$ 790,23. Na sequência aparecem Belém, com R$ 759,41; Boa Vista, com R$ 753,09; Manaus, com R$ 732,90; Macapá, com R$ 717,46; Rio Branco, com R$ 704,28; e Porto Velho, com R$ 698,01.

Os valores ainda ficam abaixo dos registrados nas capitais do Sul, do Sudeste e de parte do Centro-Oeste. São Paulo liderou o ranking nacional, com cesta de R$ 965,47.

A velocidade dos reajustes chama a atenção. Entre maio e junho, três das quatro maiores altas da cesta básica no Brasil ocorreram em capitais da região. Boa Vista liderou o aumento nacional, com avanço de 3,28%, seguida por Palmas, com 3,01%, e Rio Branco, com 2,20%.

O desempenho regional contrasta com o cenário nacional, marcado por estabilidade ou queda dos preços em dez capitais. No total, 17 cidades registraram aumento da cesta básica no mês.

Manaus fica 18% mais cara

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Mesmo sem apresentar uma das maiores altas em junho, Manaus acumulou avanço de 18,13% em 2026. O percentual coloca a capital amazonense entre os maiores acumulados do Brasil. Apenas Fortaleza, com alta de 21,48%, e Cuiabá, com 18,53%, registraram crescimento superior no período.

O comportamento indica que a inflação da cesta básica em Manaus ocorreu de forma contínua ao longo do semestre, mantendo trajetória de alta mesmo nos meses de menor variação.

Porto Velho também apresentou forte pressão, com acumulado de 17,91%. Palmas registra 16,62%; Boa Vista, 15,48%; Belém, 13,93%; Rio Branco, 12,49%; e Macapá, 10,18%.

Feijão pressiona a cesta

O principal responsável pelo avanço da cesta básica na Região Norte foi o feijão carioca. Em Manaus, o produto ficou 18,92% mais caro apenas entre maio e junho. Palmas registrou aumento de 18,38%. Boa Vista teve alta de 7,82%; Belém, de 6,01%; e Macapá, de 4,38%.

Segundo o Dieese, a valorização ocorre em razão da redução da área cultivada e dos impactos das condições climáticas sobre a primeira e a segunda safras do grão.

O comportamento do feijão também aparece no acumulado de 12 meses. Em Belém, o produto registra alta de 64,34%. Em Macapá, chega a 58,49%. Em Manaus, acumula 44,83%.

Alguns alimentos apresentaram redução de preços em junho, o que limitou um aumento ainda maior da cesta básica. O café em pó caiu na maioria das capitais brasileiras, reflexo do avanço da colheita da safra 2026/2027. O açúcar também recuou diante da maior oferta de cana-de-açúcar. O óleo de soja registrou queda em grande parte das cidades, favorecido pela oferta elevada do produto.

Na Região Norte, também houve reduções pontuais em itens como banana, arroz, café e açúcar. Ainda assim, essas quedas não foram suficientes para compensar os reajustes em alimentos de maior peso na composição da cesta, especialmente feijão e carne bovina.

Peso no orçamento

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Foto: Semcom-Manaus

Além da alta dos preços, o levantamento mostra o impacto da cesta básica sobre o orçamento das famílias. Em Palmas, a compra dos alimentos básicos compromete 52,70% do salário mínimo líquido. Em Belém, o percentual chega a 50,65%. Boa Vista registra 50,23%.

Em Manaus, a cesta consome 48,88% da renda líquida de um trabalhador remunerado pelo piso nacional, o equivalente a 99 horas e 28 minutos de trabalho.

Macapá compromete 47,85% do salário mínimo líquido; Rio Branco, 46,97%; e Porto Velho, 46,55%. Na prática, um trabalhador precisa dedicar entre 95 e 107 horas de trabalho apenas para comprar a cesta básica nas capitais da Região Norte.