Bioeconomia
Tecnologia rastreia origem de mel e própolis e busca agregar valor à produção no Tocantins
Projeto BEEpona reúne coletor de própolis e aplicativo para rastrear a produção, da colmeia ao consumidor
Foto: Divulgação/MIDR
Uma tecnologia desenvolvida no Tocantins busca ampliar a rastreabilidade de produtos apícolas e agregar valor à produção regional. O projeto BEEpona reúne coletores de própolis e um aplicativo que permite registrar informações sobre a trajetória dos produtos, desde a colmeia até o consumidor final.
O sistema permite cadastrar informações sobre a produção e gerar um selo de identificação para produtos como mel e própolis. Com isso, o consumidor poderá consultar a procedência dos itens e conhecer o percurso até a comercialização.
Além de ampliar a transparência na cadeia produtiva, a proposta busca fortalecer a confiança do mercado nos produtos regionais e criar condições para diferenciar a produção tocantinense.
A iniciativa é coordenada pelo professor Hebert Batista, doutor em Ciências Farmacêuticas e vinculado ao Instituto Federal do Tocantins (IFTO), câmpus Araguaína. O projeto integra a Rede Desenvolvimento Regional (Rede Deser) e o Centro de Desenvolvimento Regional (CDR) Médio Norte, com foco na aplicação da pesquisa científica às demandas dos produtores locais.
Rastreabilidade e inovação no campo
O BEEpona utiliza coletores de própolis desenvolvidos para colmeias de abelhas com e sem ferrão, associados a uma plataforma digital de registro das informações produtivas.
Segundo o coordenador do projeto, Hebert Batista, a ferramenta permite acompanhar a origem do mel e da própolis, além de identificar o local de coleta dos produtos.
A tecnologia também pretende estimular a produção de própolis no médio norte do Tocantins. A geração de informações sobre a procedência e as características da produção poderá contribuir, futuramente, para iniciativas voltadas ao reconhecimento de uma identidade geográfica para a própolis da região.
Esse tipo de identificação pode se tornar um diferencial comercial para os produtores, ao permitir que características associadas à origem sejam utilizadas na valorização dos produtos. A efetiva criação de uma identificação geográfica, entretanto, depende de etapas específicas de desenvolvimento e reconhecimento.

Entrega dos coletores de própolis BEEpona após treinamento no Projeto de Assentamento Rio Preto, em Araguaína – Foto: Arquivo/Governo de Tocantins
Equipamentos serão distribuídos em três municípios
Como parte da implementação, o projeto prevê a entrega de 50 coletores de própolis BEEpona para unidades produtivas vinculadas a associações de apicultores de Araguaína, Pau D’Arco e Xambioá.
A iniciativa também envolve atividades de treinamento e aproximação entre pesquisadores e produtores rurais, com o objetivo de facilitar a utilização da tecnologia nas unidades produtivas.
O apoio financeiro da Fapt foi apontado pelo coordenador como um dos fatores que viabilizaram o desenvolvimento da solução e sua aproximação com as comunidades atendidas.
Para o presidente da fundação, Gilberto Ferreira, o projeto demonstra como a pesquisa aplicada pode contribuir para solucionar demandas da cadeia produtiva e ampliar o potencial econômico de atividades desenvolvidas no estado.
Pesquisa aplicada ao desenvolvimento regional
O BEEpona foi aprovado no Edital nº 02/2024 FAPT/SEPLAN, destinado ao financiamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação vinculados aos Centros de Desenvolvimento Regional do Tocantins.
A proposta faz parte da Rede Deser, política pública prevista no Plano Plurianual (PPA) 2024–2027 que busca aproximar instituições de ensino superior e organizações de ciência, tecnologia e inovação das necessidades das comunidades locais.
A equipe reúne profissionais e estudantes de áreas como computação, farmácia, biotecnologia e desenvolvimento de sistemas. A participação multidisciplinar contribui para integrar o desenvolvimento dos equipamentos, a plataforma digital e as análises relacionadas à própolis.
Ao combinar pesquisa científica, tecnologia digital e produção rural, o projeto busca criar alternativas para fortalecer a apicultura e ampliar a competitividade dos produtos tocantinenses. A iniciativa também evidencia o potencial da inovação tecnológica para agregar valor às cadeias produtivas regionais e gerar novas oportunidades de renda no campo.

