Bioeconomia
Café produzido por indígenas de Mato Grosso conquista cinco premiações em concurso estadual
Produtores Paiter Suruí, de Rondolândia, se destacaram pela qualidade dos grãos e pelo avanço da produtividade com assistência técnica
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A cafeicultura indígena de Mato Grosso conquistou destaque no 1º Concurso de Qualidade do Café do estado, realizado em 31 de outubro, no município de Juína. Produtores do povo Paiter Suruí, de Rondolândia, receberam cinco premiações em diferentes categorias, reforçando o potencial do café Robusta Amazônico na agricultura familiar e na geração de renda nas comunidades indígenas.
Os produtores Miguel Suruí e Rafael Gameb Suruí conquistaram as primeiras colocações nas categorias Café Premiado e Excelência Suprema, destinada ao melhor café entre os vencedores. Miguel ficou em primeiro lugar nas duas modalidades, enquanto Rafael alcançou a segunda colocação. Outro representante de Rondolândia, Naraykoalab Suruí, conquistou o terceiro lugar na categoria Café Fermentado.
Representando também a Cooperativa de Produção e Desenvolvimento do Povo Indígena Paiter Suruí (Coopaiter), Rafael destacou que o resultado reconhece o trabalho desenvolvido diariamente pelos produtores.
O desempenho da comunidade está relacionado, entre outros fatores, à assistência técnica oferecida pela Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer). O extensionista Hayath Alves acompanha os cafeicultores de Rondolândia desde 2020, com orientações sobre adubação, irrigação e práticas de manejo sustentável.
Segundo o técnico, a produtividade, que inicialmente variava entre 30 e 40 sacas por hectare, já ultrapassa 100 sacas por hectare em algumas propriedades. Os produtores também passaram a utilizar produtos biológicos para reduzir a aplicação de insumos químicos nas lavouras.
A melhoria do manejo tem contribuído tanto para o aumento da produção quanto para a qualidade dos grãos, ampliando as possibilidades de comercialização e geração de renda nas comunidades indígenas.

Foto: Vânia Neves – Seaf
Cafeicultura amplia presença em Mato Grosso
O concurso foi promovido pelo governo estadual, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf-MT), em parceria com o Sebrae-MT e apoio técnico da Empaer. A iniciativa busca valorizar os cafeicultores, incentivar práticas sustentáveis e ampliar a presença do Robusta Amazônico nos mercados regional, nacional e internacional.
A programação começou em junho, em Colniza, município que concentra a maior produção de café do estado, e foi encerrada em Juína. A primeira edição recebeu inscrições de produtores de 16 municípios e reuniu mais de 500 pessoas, além de expositores de cafés, queijos, doces e outros produtos da agricultura familiar.
Atualmente, Mato Grosso possui 29 municípios produtores de café e mais de 400 famílias envolvidas na atividade. O cenário indica oportunidades de expansão da cafeicultura, especialmente com investimentos em assistência técnica, melhoria da qualidade e organização dos produtores.
Além dos resultados alcançados em Rondolândia, o concurso premiou cafeicultores de Juara, Aripuanã, Colniza, Paranaíta e Alta Floresta, em categorias que avaliaram diferentes métodos de processamento dos grãos, como café fermentado, natural por clone e natural blend.
A participação dos produtores indígenas evidencia o potencial da cafeicultura como alternativa de diversificação produtiva e fortalecimento da agricultura familiar na Amazônia, associando conhecimento técnico, valorização da produção local e oportunidades de mercado.

