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Caroço de açaí abastece caldeira de refinaria em Manaus e reduz custo de vapor

Segundo o Grupo Atem, testes indicaram custo 70% menor que o da geração com óleo combustível; equipamento tem capacidade para produzir até 18 toneladas de vapor por hora

O caroço que sobra do processamento do açaí passou a ter uma utilização industrial em Manaus: gerar vapor para a Refinaria da Amazônia (Ream), pertencente ao Grupo Atem. A unidade implantou uma caldeira alimentada pelo resíduo do fruto, com capacidade para produzir até 18 toneladas de vapor por hora. Segundo a companhia, os testes iniciais apontaram redução de aproximadamente 70% no custo de geração de vapor em comparação com o uso de óleo combustível.

A implantação começou em 2025, como parte do programa de modernização da refinaria. O equipamento utiliza a biomassa para produzir o calor necessário à geração de vapor, empregado em diferentes etapas do processamento de petróleo.

As caldeiras convencionais, movidas a óleo e gás, continuam disponíveis para atender à demanda em períodos de maior consumo ou durante eventuais paradas da unidade de biomassa.

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Projeto garantiu novas destinação ao caroço do açaí | Foto: Divulgação

O vapor tem várias funções na operação da refinaria. É utilizado no aquecimento de tanques, incluindo os destinados ao armazenamento de asfalto, no acionamento de equipamentos e em processos que exigem determinadas condições de pressão e vácuo. Também auxilia procedimentos de segurança, como a retirada de petróleo e combustíveis de equipamentos e tubulações em situações específicas.

O ganho econômico apresentado pelo Grupo Atem foi identificado durante o comissionamento, etapa de testes e ajustes do equipamento antes de sua operação plena. Dados levantados indicam uma redução de aproximadamente 70% no custo de geração de vapor em comparação com o uso de óleo combustível.

Do caroço à caldeira

Além da redução de custos, o projeto abriu uma nova destinação para o caroço de açaí, resíduo gerado em grande quantidade depois da extração da polpa. Embora a biomassa já seja utilizada para produzir calor em outros segmentos industriais, seu aproveitamento em uma refinaria exige fornecimento regular e características adequadas para manter a geração de vapor.

Essa etapa é conduzida pela Bioenergia da Amazônia, empresa do próprio Grupo Atem responsável pela captação, processamento e fornecimento da biomassa. A operação envolve comunidades e fornecedores locais e inclui atividades de coleta, armazenamento e transporte do material até a refinaria.

A disponibilidade do caroço na região é uma das vantagens apontadas pela companhia. Diferentemente de outras matérias-primas energéticas que precisam ser transportadas por longas distâncias, o resíduo pode ser obtido nas áreas produtoras e de beneficiamento do açaí no Norte.

O CEO do Grupo Atem, Fernando Aguiar, afirma que a iniciativa também “cria novas oportunidades para uma cadeia que gera renda e dá uma destinação útil a um material que antes era tratado como resíduo”.

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Unidade passa por um processo de modernização | Foto: Divulgação

Na Ream, a caldeira integra um programa mais amplo de modernização da unidade, inaugurada em 1957. Segundo o Grupo Atem, o projeto busca reduzir a utilização de combustíveis convencionais na geração de vapor, sem comprometer o fornecimento necessário ao funcionamento da refinaria.

A empresa já estuda outra aplicação para a biomassa, desta vez na geração de energia elétrica. Os equipamentos destinados ao projeto estão sendo recebidos, enquanto a viabilidade técnica e econômica continua em avaliação. Ainda não foi informado um prazo para o início dessa operação.