Bioeconomia
Estudante do Amazonas cria shampoo antifúngico com castanha-do-Brasil e tem estudo publicado no exterior
Pesquisa desenvolvida por Bruno Dantas como trabalho de conclusão de curso contou com parceria do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amazonas
Um estudante de Engenharia Química da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), campus Manaus, desenvolveu um shampoo natural com ação antifúngica para o tratamento da seborreia, problema comum do couro cabeludo. A pesquisa apresentou, em testes laboratoriais, resultados superiores aos de um antifúngico sintético amplamente utilizado e foi publicada em periódico científico internacional.
O trabalho foi realizado por Bruno Dantas como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) nos laboratórios da ULBRA Manaus, em parceria com o Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Os resultados foram divulgados na Revista Observatorio de la Economía Latinoamericana, de circulação fora do país, o que amplia a visibilidade da produção científica desenvolvida na região amazônica.
Pesquisa aposta em alternativa natural e sustentável
O interesse pelo tema surgiu a partir da identificação da seborreia como um problema recorrente na população, geralmente associado à proliferação de fungos no couro cabeludo. A partir disso, o estudante direcionou o estudo para o desenvolvimento de uma alternativa natural, eficaz e sustentável ao tratamento convencional.
A formulação do shampoo utiliza insumos como leite de castanha-do-pará, gel de babosa e óleos essenciais com propriedades antifúngicas, aliando eficácia científica à valorização da biodiversidade amazônica. Nos testes laboratoriais, o produto demonstrou intensa atividade antifúngica nas primeiras 24 horas, com índices de inibição superiores aos do cetoconazol, princípio ativo comumente usado no combate à seborreia, indicando ação fungistática relevante para infecções superficiais.
A pesquisa contou com a colaboração da professora doutora Adriana Gonzaga, da Ufam, responsável pelos testes no laboratório de microbiologia, e da professora Brenda Silva de Paula, mestre em Biotecnologia e integrante do Departamento de Engenharia Química da ULBRA Manaus. Segundo os pesquisadores, apesar dos resultados promissores, ainda são necessárias novas etapas de validação antes de um eventual desenvolvimento comercial.
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Para Bruno Dantas, o estudo tem impacto científico e social. “A ciência precisa chegar a quem mais precisa, especialmente às pessoas que sofrem diariamente com a seborreia”, afirmou. O trabalho reforça o papel da ULBRA na formação acadêmica voltada à pesquisa e evidencia a importância das parcerias interinstitucionais para o avanço da ciência na Amazônia.
