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Tucumã, cupuaçu, açaí e castanha ganham versões em pó na indústria

Iniciativas no Amazonas transformam ingredientes tradicionais em insumos e ampliam aplicações além do consumo regional

Tucumã filizado em exposição | Fotos: Fabíola Abess

Empresas e startups apoiadas pelo Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) vêm desenvolvendo versões em pó de ingredientes tradicionais da Amazônia, como castanha, cupuaçu, açaí e tucumã. A iniciativa amplia o uso da biodiversidade regional e criando novos mercados para esses produtos.

As soluções incluem desde insumos para panificação e alimentação saudável até aplicações na gastronomia, com potencial de inserção em cadeias produtivas de maior valor agregado.

O movimento integra a agenda de pesquisa, desenvolvimento e inovação vinculada à Suframa e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), coordenada pelo Idesam.

Com cerca de R$ 196 milhões em investimentos, o programa reúne empresas, 19 Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), startups e comunidades locais, com foco no desenvolvimento de cadeias produtivas na Amazônia Ocidental e no Amapá.

Atualmente, são 51 negócios incentivados, como a Amazonia Smart Food e a Terramazonia, e mais de 240 soluções desenvolvidas, entre produtos, processos e serviços. As iniciativas já contribuíram para a geração de mais de 800 empregos.

empregos bioeconomia Fotos Fabiola Abess

Geração de emprego atráves da Bioeconomia | Fotos: Fabíola Abess

Da floresta para a cozinha

Um dos principais avanços está no uso da liofilização, técnica que remove a água dos alimentos por congelamento seguido de desidratação a frio.

O processo preserva características como sabor, cor e nutrientes, permitindo transformar frutos como buriti, tucumã e cupuaçu em pós ou lascas que podem ser reidratados e incorporados a diferentes aplicações.

A técnica dispensa o uso de conservantes e amplia o tempo de conservação dos produtos, facilitando a logística e o acesso a mercados fora da região.

É o que acontece com o ttucumã, item famoso no X-Caboquinho, que surge em lascas — também liofilizadas.

biscoito cupu Fotos Fabiola Abess

Biscoito de cupuaçu | Fotos: Fabíola Abess

Novos usos e mercados

Na prática, os ingredientes liofilizados têm sido aplicados em receitas como pães, biscoitos, cremes e bebidas, ampliando o uso da biodiversidade além da cozinha regional.

Os produtos também têm potencial para mercados como alimentação funcional, panificação e gastronomia, criando novas oportunidades de negócio e agregação de valor à produção local.

Receitas com ingredientes amazônicos liofilizados

  • Crepioca de buriti com creme de castanha-da-Amazônia e salada fresca

O buriti liofilizado em pó confere cor e identidade à massa, enquanto o creme de castanha equilibra a preparação com suavidade. A salada com tomate-cereja, alface e ora-pro-nóbis adiciona frescor.

  • Pãozinho de buriti com queijo coalho

O pão apresenta coloração dourada e leve dulçor do buriti liofilizado, em contraste com o sabor marcante do queijo coalho.

  • Biscoitinho de cupuaçu e buriti

A receita combina o sabor levemente ácido do cupuaçu com a doçura do buriti, resultando em um produto aromático e crocante.

  • Creme de macaxeira com tucumã e chips crocantes

O creme de macaxeira ganha profundidade de sabor com o tucumã liofilizado em lascas, enquanto os chips agregam textura à preparação.

  • Iogurte de macaxeira com proteína de castanha, geleia de araçá-boi e nibs de cacau

A preparação reúne diferentes camadas de sabor: a proteína de castanha-da-Amazônia confere leve acidez, a geleia de araçá-boi acrescenta frescor e os nibs de cacau finalizam com textura.

alimento nibs cacau Fotos Fabiola Abess

Iogurte de macaxeira com proteína de castanha, geleia de araçá-boi e nibs de cacau | Fotos: Fabíola Abess