Economia
Confiança do empresário registra queda em setembro com fim da taxa das blusinhas
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu para 100 pontos em setembro, mas manteve alta no comparativo anual
Entre os recortes da pesquisa, o segmento de bens semiduráveis, que abrange roupas, calçados, tecidos e acessórios, apresentou uma readequação em suas expectativas. Esse movimento coincide com o período em que o mercado interno observa os efeitos do fim do imposto de importação sobre remessas internacionais, a chamada “Taxa das Blusinhas”, fator que tem incentivado uma maior participação do comércio exterior no consumo.
Conforme índice, a confiança no comércio desses bens semiduráveis registrou queda de 1,3% na comparação mensal. Em relação ao mesmo período de 2025, o segmento é o único a apresentar variação negativa, recuando -1,7% em 12 meses. Segundo dados da Receita Federal, as remessas internacionais declaradas passaram de 15,2 milhões em agosto de 2025 para 26,5 milhões no mesmo mês de 2026, um crescimento de 74%.
Em termos financeiros, o montante dessas importações avançou 79% no período, alcançando a marca de R$ 526 milhões. A expectativa econômica específica do segmento de semiduráveis recuou 4,6% em setembro. O subíndice Expectativas para os empresários de roupas e calçados anotou variações de -4% no comparativo mensal e de -1,4% no comparativo anual.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, aponta o lado inovador e empreendedor do comerciante como ferramenta para superar as adversidades mostradas pela pesquisa.
“Os dados observados refletem a adaptação do setor varejista nacional à atual conjuntura tributária e concorrencial, continuamente questionada pela CNC ao longo do debate em torno da isenção da “Taxa das Blusinhas”, disse o presidente.
Trados comenta ainda que, apesar do cenário de pessimismo recente no setor de vestuário, o levantamento demonstra estabilidade e avanços em outras áreas do varejo, demonstrando a resiliência e capacidade de adaptação que o empresário brasileiro desempenha.
Apesar da readequação receosa do setor têxtil observada no mês, o índice geral do Icec registrou um crescimento de 1,7% em relação a setembro de 2025. Segundo a CNC, isso mostra que os empresários avaliam o ambiente de negócios como mais favorável do que o verificado no mesmo período do ano passado.
O comércio de bens duráveis, como eletrônicos e eletrodomésticos, por exemplo, obteve o maior avanço na comparação anual (3,9%), beneficiado por um nível de preços que tem favorecido a comercialização desses itens. Além disso, no quadro geral do comércio, as intenções de contratação de funcionários mantiveram trajetória positiva, com crescimento de 4,2% no ano, indicando resiliência no mercado de trabalho varejista.

