Logística
Combustível caro e estradas ruins fazem custo de transporte consumir 13% do PIB nacional
Integração entre ferrovias, portos e cabotagem é apontada como saída para reduzir a inflação do frete no País
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O elevado peso do custo logístico na economia brasileira voltou ao centro dos debates em Brasília. Em workshop promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) alertou que as ineficiências no transporte de cargas consomem atualmente 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do País — com a movimentação de mercadorias respondendo, isoladamente, por até 13% dessa fatia.
Para a região Norte e, em especial, para o Polo Industrial de Manaus (PIM), o diagnóstico ganha contornos ainda mais críticos. A excessiva dependência do modal rodoviário no país — que concentra entre 62% e 86% do escoamento nacional — evidencia a urgência de soluções intermodais que contemplem as particularidades geográficas da Amazônia, onde a navegação fluvial e a cabotagem são vitais para o abastecimento de insumos e a distribuição de produtos acabados.
Gargalos operacionais e o peso do combustível
Durante o encontro, a Federação Nacional das Empresas de Serviços Aduaneiros e Logística (Feaduaneiros) e o setor de Relações Governamentais da CNC destacaram como a precariedade da infraestrutura comprime margens de lucro, encarece componentes e prejudica a competitividade das indústrias frente ao mercado externo.

Outro ponto de pressão discutido foi a vulnerabilidade das tabelas de frete em relação ao preço do diesel. Dados da Fecombustíveis mostram que o combustível representa cerca de 35% do custo operacional do transporte rodoviário. No contexto amazonense, a oscilação do combustível nas rodovias de integração das regiões Sudeste e Sul reflete diretamente nos custos de atracação e conexão com as rotas fluviais e de cabotagem até o Porto de Manaus.
Além da inflação do diesel, problemas estruturais como o deslocamento de veículos sem carga (a “viagem em vazio”) e o roubo de cargas nas malhas do Centro-Sul encarecem as apólices de seguro e oneram o frete por tonelada transportada para a Região Norte.
Propostas de integração e fortalecimento da cabotagem
Para reduzir o chamado “Custo Brasil” e assegurar maior fluidez ao escoamento da produção nacional, a CNC apresentou ao TCU e aos órgãos reguladores uma pauta de propostas focada em infraestrutura estratégica:
Multimodalidade real: Expansão de investimentos em ferrovias e cabotagem para aliviar a sobrecarga das rodovias e baratear o frete para o varejo e a indústria de transformação.
Modernização de concessões: Implantação de marcos regulatórios mais atraentes e ágeis para atração de capital privado em portos, hidrovias, estradas e aeroportos.
Manutenção preventiva e continuada: Garantia de fluxos permanentes de investimento para evitar a degradação das vias terrestres e assegurar a dragagem contínua dos canais de navegação nas bacias hidrográficas estratégicas.
Para o setor produtivo instalado na Zona Franca de Manaus, o avanço dessas pautas é visto como indispensável para mitigar os efeitos da sazonalidade dos rios e garantir previsibilidade logística ao ecossistema industrial da Amazônia.
