MENU
Buscar

Grupo Chibatão investe R$ 80 milhões em píer temporário em Itacoatiara para mitigar efeitos da seca

Medida visa viabilizar o tráfego de mercadorias em águas rasas e minimizar o impacto financeiro da seca dos rios na Amazônia

Foto: Divulgação/Chibatão

Diante da perspectiva de uma estiagem severa impulsionada pelo El Niño, a logística de abastecimento do Polo Industrial de Manaus (PIM) enfrenta uma forte elevação de custos. Para garantir a continuidade do fluxo de insumos na região, o Grupo Chibatão deve investir R$ 80 milhões na operação de um píer temporário em Itacoatiara, no Amazonas. A informação é da Folha de S. Paulo.

Segundo Johny Fidelis, diretor-executivo da empresa, os recursos cobrem custos adicionais com pessoal, combustível, hospedagem e transporte para viabilizar o transbordo de cargas dos navios para balsas menores de baixo calado, impedindo que o terminal fique paralisado e reduzindo o impacto financeiro da vazante. Com deslocamento previsto para o bimestre setembro-outubro, a estrutura de 277 metros sai de Manaus para começar a operar em Itacoatiara a partir de novembro.

“Se não tem navio para descarregar, o impacto financeiro é gigantesco, porque toda a estrutura fica parada. Com o advento de movimentar parte dessa estrutura para Itacoatiara, não para o porto Chibatão. O impacto é mínimo possível”, afirma Fidelis ao Jornal.

Armadoras aplicam sobretaxas de seca no frete marítimo

A ação ocorre em meio a uma nova onda de tensões no Polo Industrial de Manaus (PIM). Diante do avanço da estiagem na bacia amazônica, as principais gigantes globais do transporte marítimo — como Maersk, MSC, CMA CGM, Hapag-Lloyd e Ocean Network Express (ONE) — anunciaram a aplicação da Low Water Surcharge (sobretaxa por baixo nível de água), conhecida como “Taxa de Seca”, para cargas com origem ou destino na capital amazonense. Com previsão de entrada em vigor entre setembro e outubro, os valores cobrados pelas companhias oscilam de US$ 753 a US$ 1.900 por contêiner.

WhatsApp Image 2026 08 25 at 14.22.33

Fonte: PIM Amazônia

O repasse desses custos extraordinários de navegação aos importadores e indústrias locais reflete os riscos operacionais decorrentes da redução da profundidade dos rios.

Impactos na cabotagem e gargalos no comércio global

A crise no transporte aquaviário tende a se estender também ao mercado nacional. De acordo com Augusto César Rocha, coordenador da Comissão de Logística do CIEAM, a navegação de cabotagem entre portos brasileiros deve repassar sobretaxas semelhantes à medida que o período crítico da seca se aproximar.

“A cabotagem muito provavelmente vai cobrar também essa sobretaxa, só que, como as viagens dentro do Brasil são muito próximas, eles conseguem fazer isso muito mais perto do evento”, comentou.

Para além dos gargalos locais, a logística da Zona Franca de Manaus sofre reflexos internacionais no Canal do Panamá, onde o calado máximo das eclusas Neopanamax foi reduzido de 50 para 47,5 pés.  amazonense.

Fonte: Folha de S. Paulo