Logística
Chibatão e Super Terminais dizem estar prontos para transferir estruturas portuárias para Itacoatiara
Portos aguardam definição de órgãos públicos e orientações de autoridades competentes
Foto: Divulgação/Super Terminais
Os dois portos privados de Manaus, que recebem e enviam cargas do Polo Industrial, dizem estar com as estruturas portuárias prontas para transferência a Itacoatiara, a 176 quilômetros da capital. Nesta quarta-feira (12), a PIM Amazônia destacou o alerta do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim) sobre o prazo seguro para a realização da operação logística: até o próximo dia 15.
De acordo com o centro de monitoramento climático e hidrológico da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a estiagem deste ano deve ganhar força a partir do fim de setembro, com efeitos que podem se estender até abril do próximo ano.
O motivo é o agravamento do El Niño, previsto para atingir o nível máximo em uma escala de cinco níveis, que vai de ‘neutro’ a ‘muito forte’.

Fontes ligadas ao Grupo Chibatão dão como certa a transferência do píer flutuante para o município vizinho, repetindo uma estratégia adotada em 2024 e que permitiu mitigar os efeitos da maior seca do Rio Negro já registrada. O Chibatão responde por 75% da carga que chega ao Polo Industrial de Manaus por via fluvial e tem uma estrutura em ‘stand by’ que pode ser transferida sem comprometer a operação portuária em Manaus.
A previsão era de que o píer fosse transportado na segunda quinzena de setembro, mas a decisão pode ser antecipada. “Estamos dependendo de dois órgãos públicos”, informou a fonte.
O Super Terminais informou, por meio de nota, que “está preparado para replicar a operação realizada em 2024 e transferir parte de sua estrutura flutuante para Itacoatiara, caso o nível e o calado do Rio Negro exijam”.
A empresa explica que já deu início a todos os trâmites operacionais e burocráticos necessários para viabilizar a mudança, seguindo orientações da Marinha, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e de outros órgãos.
“A definição da data exata dependerá do ritmo de vazante do rio e da evolução das condições de navegabilidade, acompanhadas diariamente por meio dos boletins climatológicos e dos dados batimétricos”, diz a nota.
Além disso, o grupo informou que respeita e acompanha a recomendação emitida pelo Labclim, da UEA, mas que, até o momento, não houve orientação ou alerta oficial dos órgãos responsáveis pela navegabilidade sobre restrições à navegação em razão da seca.

Foto: Divulgação/Chibatão
“Continuaremos acompanhando a evolução do rio e as orientações das autoridades competentes para definir o momento adequado para a transferência”, diz a empresa.
Seca e El Niño
Em junho, a equipe do Labclim, sob a coordenação do professor doutor Francis Wagner, apresentou prognósticos para as indústrias em uma reunião na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Na ocasião, a estimativa era de que o nível do Rio Negro chegasse a 14,42 metros em 30 de outubro.
No relatório mais recente, há novos cenários projetados pelo modelo matemático desenvolvido e aperfeiçoado no laboratório. O ponto central é a necessidade de transferência das estruturas portuárias, com prazo para que isso ocorra em segurança, segundo explicou Leonardo Vergasta, doutor em clima e ambiente, membro do Labclim.
O motivo para a preocupação é o El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento das águas do Pacífico. “A partir de setembro já estaremos na categoria muito forte, aquilo que a mídia tem chamado popularmente de super El Niño”, explica Wagner.
Em 2023, a seca extrema nos rios do Amazonas afetou a navegação e a chegada de cargas às indústrias e ao comércio, resultando em prejuízos para os setores público e privado. Foram mais de 70 dias sem que navios de grande porte conseguissem atracar em Manaus, com perdas estimadas em torno de R$ 2 bilhões.
No ano seguinte, considerado o pior da série histórica, os portos conseguiram se antecipar e levar parte da estrutura para Itacoatiara. Com isso, os navios chegaram ao município e fizeram o transbordo dos contêineres para balsas, que seguiram com as cargas até Manaus.
Taxa polêmica
Nos últimos dias, três dos maiores armadores internacionais anunciaram a cobrança de novas taxas de seca para operações com origem ou destino em Manaus durante a estiagem de 2026. A cobrança polêmica é um valor extra adicionado ao frete de contêineres justificado pelo maior custo operacional e até mesmo pela restrição no volume de cargas quando os rios baixam.

Foto: Divulgação
A taxa tem gerado polêmica e embates jurídicos. A Associação Comercial do Amazonas (ACA) acionou a Antaq, no dia 10 de agosto, para pedir fiscalização depois que CMA CGM, Maersk e MSC comunicaram a aplicação da taxa.
A dinamarquesa Maersk anunciou, em 31 de julho, tarifa de US$ 1.228 por contêiner seco para cargas com origem ou destino em Manaus. A cobrança está prevista a partir de 10 de outubro para exportações de Manaus, a depender da concretização das restrições de navegabilidade previstas para o período e de seus impactos nas operações.
A suíça MSC comunicou, em 6 de agosto, a aplicação de Low Water Surcharge (LWS) de US$ 1.400 por contêiner seco e US$ 1.900 por contêiner refrigerado para embarques com destino a Manaus. A cobrança terá início escalonado a partir de 5 de setembro, conforme a origem das cargas.
A francesa CMA CGM, no dia 7, anunciou sobretaxa de US$ 753 por TEU, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. A cobrança está prevista a partir de 6 de setembro para embarques com origem em diferentes mercados internacionais com destino a Manaus e a partir de 5 de outubro para cargas com origem em Manaus.
