Logística
Maersk e CMA CGM anunciam sobretaxa de seca para cargas com origem ou destino em Manaus
Sobretaxa entra em vigor entre setembro e outubro para amortecer custos de transbordo e calado crítico no Rio Amazonas
Foto: Divulgação
As gigantes mundiais do transporte marítimo Maersk e CMA CGM emitiram comunicados oficiais ao mercado anunciando a cobrança da Sobretaxa de Baixa Água (Low Water Surcharge) para os fretes com destino ou origem no Porto de Manaus. A medida preventiva responde às projeções técnicas sobre a estiagem do Rio Amazonas em 2026, visando garantir a segurança da navegação e manter a sustentabilidade do fluxo logístico que abastece o Polo Industrial de Manaus (PIM).
Com base nos dados hidrológicos da Agência Nacional de Águas (ANA) e em avisos técnicos da Autoridade Fluvial da Amazônia Ocidental, os estudos preditivos indicam que as restrições operacionais e de calado crítico se intensificarão entre as semanas 40 e 52 (outubro a dezembro), com maior impacto previsível no pico da vazante.
Mapeamento das Sobretaxas e Prazos
Para amortecer a redução de capacidade das embarcações, desvios de rota, taxas adicionais de pilotagem e movimentação logística extraordinária, as companhias definiram as condições comerciais que entram em vigor entre setembro e outubro de 2026:


O posicionamento das Armadoras
Maersk
A companhia ressaltou que o aviso é emitido antecipadamente com fins de planejamento para que seus clientes consigam estruturar suas remessas com maior previsibilidade. Segundo a Maersk, em nota publicada no dia 31 de julho, as restrições de navegação devem começar a partir da semana 41 (outubro), com pico de impacto entre as semanas 43 e 47, estendendo-se com restrições de capacidade até o fim de dezembro.
A empresa esclareceu que a sobretaxa é motivada por gargalos logísticos e custos extraordinários necessários para manter os serviços em operação. Ela também detalhou os possíveis cenários operacionais para o ápice da seca, apontando o descarregamento no cais flutuante de Itacoatiara:
- Descarregamento parcial em Itacoatiara: Para permitir que as embarcações mais leves sigam até Manaus caso as restrições se agravem.
- Descarregamento total em Itacoatiara: Ocorrerá se o nível do rio cair abaixo da cota limite de 17,20 metros e os navios ficarem totalmente impossibilitados de alcançar o porto da capital.
Para promover transparência, a Maersk recomendou o uso dos termos de pagamento “a cobrar” (collect), nos quais a faturamento ocorre no momento da chegada da carga ao destino. Caso as condições do rio permitam a navegabilidade normal no momento do desembarque e o impacto não se materialize, os clientes poderão contestar a cobrança da taxa.
CMA CGM
Em comunicado emitido no dia 7 de agosto, a CMA CGM fundamentou sua decisão nas avaliações técnicas mais recentes da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC), estimando que o período crítico de navegabilidade se estenderá da semana 40 à semana 52.
A armadora destacou o impacto direto do nível dos rios na redução drástica do volume de carga transportado por viagem. Para mitigar tais gargalos, a CMA CGM salientou que a taxa cobrirá despesas adicionais com transbordo, taxas de pilotagem, manuseio e alocação de embarcações, e reforçou que o valor poderá ser revisado se houver necessidade de operação em píer flutuante:
“Se as condições do rio exigirem o uso de um píer flutuante para apoiar atracação, manuseio de cargas ou a transferência segura de contêineres durante períodos de calado reduzido, os arranjos operacionais relacionados, mobilização de equipamentos, estrutura de manuseio e custos de terceiros associados, a sobretaxa aplicável será revisada “, diz a nota.
Projeções de Calado Severo
Levantamento técnico divulgado pelo Guia Marítimo revela que a Capitania dos Portos consultou o Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e o Laboratório de Modelagem de Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para dimensionar a estiagem deste ano.
As estimativas apontam que o nível dos rios pode atingir marcas mínimas entre 1,8 e 3,0 metros abaixo das registradas em 2025, a depender da calha analisada.
Especificamente no trecho entre Itacoatiara e Manaus, a projeção preliminar estabelece uma limitação drástica de calado para navios de carga, situando-se na ordem de 8,00 metros.
