Acre
Acre reduz queimadas em 58% nos primeiros cinco meses de 2026 e lidera ranking nacional
Dados do Instituto de Pesquisas Espaciais refletem o fortalecimento das ações integradas de monitoramento, fiscalização e combate aos ilícitos ambientais
Brigadistas comunitários |
O Acre alcançou a liderança nacional na redução de queimadas ao registrar o menor quantitativos de focos de calor do país entre janeiro e maio de 2026. Conforme dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), captados pelo satélite de referência AQUA Tarde, o estado registrou apenas 21 focos no período. O resultado representa uma redução de aproximadamente 58% em comparação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido contabilizados 51 focos de calor.
O desempenho também se destaca em relação aos demais estados da Amazônia Legal. Enquanto o Acre registrou 21 focos, Rondônia contabilizou 36 e o Amazonas, 128. Já Pará (1.607), Mato Grosso (1.550) e Tocantins (1.371) concentram os maiores números de alerta da região.
A série histórica do Inpe aponta que o Acre vem mantendo baixos índices de queimadas nos últimos anos. Foram registrados 56 focos de calor em 2020, 45 em 2021, 66 em 2022, 17 em 2023, 32 em 2024, 51 em 2025 e, agora, apenas 21 focos nos cinco primeiros meses de 2026.

“Os dados do Inpe indicam uma redução de aproximadamente 58% nos focos de calor registrados no Acre entre janeiro e maio de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. Esse resultado reflete um conjunto de fatores, incluindo as condições climáticas observadas nos primeiros meses do ano e as ações de monitoramento e fiscalização desenvolvidas pelo Estado. O momento ainda exige atenção permanente, especialmente com a aproximação do período mais crítico da estiagem previsto para o segundo semestre. O desafio agora é manter os índices em patamares reduzidos ao longo do ano, fortalecendo as ações preventivas e a atuação integrada dos órgãos ambientais”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho.
Operação Amburana reforça enfrentamento aos ilícitos ambientais
Os resultados refletem o fortalecimento das ações integradas de monitoramento, fiscalização e combate aos ilícitos ambientais desenvolvidas pelo governo do Acre. Uma das principais iniciativas em andamento é a Operação Amburana, coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em parceria com o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).
Deflagrada em fevereiro deste ano, a operação integra as ações do Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudança do Clima (Simamc) e tem como objetivo combater o desmatamento ilegal e reduzir os riscos de queimadas no período de estiagem.

Área ambiental | Foto: Uêslei Araújo/Sema
Na primeira fase da operação, as equipes atuam em 242 áreas com alertas de desmatamento distribuídas em cinco regionais estratégicas do estado. Somente nos primeiros sete dias de trabalho, foram fiscalizados 94 alertas, resultando no embargo de 684,6 hectares, apreensão de 24 metros cúbicos de madeira ilegal e aplicação de aproximadamente R$ 3,4 milhões em multas.
Preparação para o período de estiagem
Como parte da estratégia para enfrentar a temporada de seca de 2026, a Sema lançou edital para a seleção de brigadistas comunitários que atuarão na prevenção e no combate a incêndios ambientais em unidades de conservação estaduais.
A iniciativa é desenvolvida em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Acre (CBMAC), responsável por conduzir os processos de formação e capacitação dos brigadistas. A medida integra o planejamento preventivo do governo para os meses de maior incidência de queimadas.
Em 2025, a política contribuiu diretamente para a redução dos focos de incêndio no estado. Dados do Inpe indicam uma redução de 75% nos focos de calor no Acre, em comparação ao ano anterior. Nas unidades de conservação, a diminuição foi ainda mais expressiva, alcançando cerca de 97,7% entre janeiro e outubro. O resultado é atribuído ao fortalecimento das ações de monitoramento, fiscalização, além da presença contínua das brigadas em campo.
Neste ano, a iniciativa conta com apoio operacional do CBMAC e investimentos aproximados de R$ 2 milhões, provenientes do Programa REM Acre, além do suporte da Fundação Re:Wild e do projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil).
Com ações integradas de fiscalização, monitoramento e prevenção, o Acre consolida sua posição de destaque nacional na redução das queimadas, contribuindo para a conservação dos recursos naturais, a proteção da biodiversidade e o enfrentamento às mudanças climáticas.
