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Grupo Chibatão inicia deslocamento de píer flutuante para Itacoatiara após aval da Antaq

Píer temporário começa a ser movida para garantir o fluxo de cargas e insumos para a Zona Franca de Manaus

Foto: Divulgação/Grupo Chibatão

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) autorizou, nesta quarta-feira (16), em caráter especial e emergencial, a transferência de um píer flutuante provisório do Grupo Chibatão para o município de Itacoatiara (AM), como parte do plano para mitigar os efeitos da estiagem de 2026. A estrutura tem o deslocamento programado para esta quinta-feira (17).

A decisão foi formalizada pelo Acórdão nº 559/2026, publicado no Diário Oficial da União, concedendo ao grupo a permissão para utilizar a estrutura pelo prazo de 180 dias. Com a homologação oficial, a empresa confirmou o envio do cais para compor a estratégia logística preventiva na região.

Monitoramento e urgência na hidrovia

A movimentação da estrutura ocorre em um cenário de alerta redobrado com as condições de navegabilidade nos rios amazonenses. Dados de monitoramento acompanhados por entidades como Manaus Pilots e Proa Manaus indicam reduções médias de aproximadamente 32 centímetros por dia nos níveis de água, com destaque para pontos críticos e estratégicos como o Tabocal e a Enseada Madeira.

Esses trechos apresentam características hidrográficas e restrições de calado que exigem rápida adaptação da cadeia logística assim que a vazante se intensifica, de modo a evitar gargalos no escoamento de insumos e mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM).

Em entrevista à PIM Amazônia em agosto, o Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), centro de monitoramento climático e hidrológico da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), alertou que a estiagem deste ano ganharia força máxima a partir do fim de setembro, com efeitos que poderiam se estender até abril de 2027. O quadro é agravado pelos impactos do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento das águas do Pacífico que, segundo atualização divulgada pela PIM Amazônia, já elevou a temperatura média no estado em 1,8°C.

Além disso, a Marinha do Brasil também apontou para o início das restrições na navegação neste mês. Em entrevista à PIM Amazônia, o capitão dos portos da Amazônia Ocidental, André Lysâneas Carvalhaes, afirmou que o setor entraria em cenário de maior atenção nesta segunda quinzena de setembro, período em que surgem as primeiras limitações operacionais decorrentes da seca. O oficial ponderou que, embora a vazante do Rio Negro esteja mais intensa do que a registrada em 2023, ainda não é possível cravar uma seca extrema, já que o comportamento do sistema hídrico amazônico depende de múltiplos rios da bacia.

Solução testada e aprovada pelo setor produtivo

O píer flutuante conta com todas as licenças e autorizações exigidas por órgãos de controle, incluindo Marinha do Brasil, Receita Federal, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e a própria Antaq, além de um investimento de R$ 80 milhões para operar. 

A eficácia do modelo já foi comprovada durante a severa estiagem de 2024, quando a estrutura em Itacoatiara recebeu 35 navios e movimentou quase 59 mil contêineres por meio de transbordo e baldeação. A alternativa logística foi determinante para manter o fluxo de matérias-primas essenciais para o funcionamento das fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e o abastecimento geral do estado.

Para Jhony Fidelis, a iniciativa antecipa os desafios típicos da região. “Estamos falando de uma estrutura que já está pronta, regularizada e preparada para cumprir seu papel. A conclusão das autorizações mostra que houve planejamento, responsabilidade e diálogo com os órgãos competentes. Na Amazônia, a logística precisa agir antes do problema, e é isso que o Grupo Chibatão vem fazendo”. 

Com a operação em Itacoatiara, o setor produtivo ganha fôlego para atravessar o período de seca, assegurando a continuidade das atividades industriais, a preservação de empregos e a movimentação econômica em todo o Amazonas.