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Indústria de bicicletas do Polo de Manaus monitora efeitos do El Niño e reforça estratégia logística

Acompanhamento dos rios e articulação pública evitam desabastecimento, mantendo a produção acima das metas

Foto: Divulgação

A frequência cada vez maior de eventos climáticos extremos, alimentados por fenômenos como o El Niño, deixou de ser uma preocupação exclusivamente ambiental e tornou-se um dos pilares centrais do planejamento estratégico das indústrias no Brasil. No Polo Industrial de Manaus (PIM), a vulnerabilidade das vias fluviais ao período de estiagem transformou o monitoramento climático em uma operação diária para o setor de bicicletas.

Além dos desafios de seca que assolam a região amazônica, é visto o impacto cruzado do clima em outras regiões. Chuvas intensas, enchentes e deslizamentos em rotas terrestres como nas regiões Sul e Sudeste impõem duplos gargalos na distribuição nacional.

Os desafios na calha dos rios amazônicos, sendo um dos principais meios de escoamento de mercadorias e a chegada de insumos e matérias-primas, a indústria amazonense precisa estruturar planos de contingência robustos para evitar o desabastecimento da cadeia produtiva e atrasos no envio das cargas para o mercado nacional.

Para evitar o colapso na circulação de cargas nos períodos de seca crítica, as empresas do PIM têm fortalecido comitês de crise e ações conjuntas com órgãos estaduais e federais. O foco central está na medição diária do nível das águas, no acompanhamento das condições de navegabilidade e na viabilização de dragagens em trechos estratégicos dos rios.

“As fabricantes estão monitorando, em conjunto com as autoridades, o nível dos rios e as condições de navegação. Esse acompanhamento contínuo é fundamental para mitigar eventuais impactos na logística de transporte e abastecimento dos centros de produção “, explica o diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Sergio Oliveira.

O ritmo da produção diante dos desafios

Mesmo operando sob constante alerta para gargalos ambientais e logísticos, o setor industrial demonstra capacidade de superação de metas preestabelecidas, como foi visto no levantamento divulgado pela Abraciclo.

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Produção de bicicletas elétricas da Oggi | Foto: Reprodução

Na fabricação de bicicletas, por exemplo, o volume fabril do mês de julho alcançou 37.413 unidades, sendo o melhor desempenho mensal do ano, registrando uma alta de 16,6% em relação ao mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a julho, a produção superou a marca de 200 mil unidades, ultrapassando a marca de 195 mil unidade para o planejamento inicial previsto, ainda que reflita uma retração de 5,7% frente ao ano anterior devido ao cenário macroeconômico global e à volatilidade de insumos.

Panorama de distribuição nacional

Apesar das adversidades impostas pelas mudanças climáticas, o fluxo de envio de cargas do Polo de Manaus para o restante do País mantém ritmo consistente de atendimento à demanda.

A região Sudeste permanece como o principal destino das fabricações, absorvendo mais de 50% das remessas no mês de julho e no acumulado do ano. Na sequência, a região Sul responde por cerca de 15% — mantendo a resiliência da sua demanda mesmo diante de impactos frequentes de cheias extremas —, acompanhada pelo Nordeste (14,8%), Centro-Oeste (11,1%) e Norte (4,5%).

A manutenção das remessas sob severas adversidades meteorológicas, reforça a relevância dos produtos fabricados em Manaus e transforma a gestão ambiental um componente permanente da indústria. Diante das ameaças às rotas de navegação, a antecipação logística e a cooperação institucional tornam-se essenciais para manter a competitividade do Amazonas.