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Portos de Manaus têm até 15 de agosto para transferir píer a Itacoatiara com segurança, alerta Labclim

Centro de monitoramento da UEA vê necessidade de antecipação logística para evitar impactos da estiagem sobre indústria e comércio

Foto: Divulgação/Chibatão

Pelo segundo ano, portos privados de Manaus devem transferir estruturas para Itacoatiara como medida preventiva contra impactos da estiagem na navegação. O alerta é do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), centro de monitoramento climático e hidrológico da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

“Já mandamos uma nota técnica para o Super Terminais informando essa necessidade”, afirma Francis Wagner, professor que coordena o Labclim. Doutor em meteorologia, ele reforça a eficiência do modelo matemático desenvolvido no laboratório, que tem apresentado alto índice de acerto nas projeções.

O alerta tem prazo. Segundo o Labclim, a transferência precisa ocorrer até 15 de agosto para que a operação seja feita com segurança.

“Na nota técnica, deixamos uma data limite para que o porto consiga fazer todo o processo operacional e levar o píer para Itacoatiara em segurança”, afirma Leonardo Vergasta, doutor em clima e ambiente, e membro da equipe de Wagner no centro de monitoramento.

Em 2023, a seca extrema nos rios do Amazonas afetou a navegação e a chegada de cargas às indústrias e ao comércio, resultando em prejuízos para os setores público e privado. Foram mais de 70 dias sem que navios de grande porte conseguissem atracar em Manaus, com perdas estimadas em torno de R$ 2 bilhões.

No ano seguinte, considerado o pior da série histórica, os portos conseguiram se antecipar e levar parte da estrutura para Itacoatiara. Com isso, os navios chegaram ao município e fizeram o transbordo dos contêineres para balsas, que seguiram com as cargas até Manaus.

Em entrevista à PIM Amazônia, em abril deste ano, o diretor executivo do Grupo Chibatão, Jhony Fidelis, explicou que a operação garantiu a chegada dos navios a Itacoatiara sem redução de calado, ou seja, sem necessidade de reduzir a carga. O Chibatão responde por 75% da carga que chega ao Polo Industrial de Manaus por meio dos portos.

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Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim) – Foto: PIM Amazônia

Efeitos do El Niño

De acordo com os pesquisadores do Labclim, a estiagem deste ano deve ganhar força máxima a partir do fim de setembro, com efeitos que podem se estender até abril do próximo ano.

O principal fator é o El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento das águas do Pacífico. Segundo atualização concluída nesta segunda-feira (10), divulgada em primeira mão pela PIM Amazônia, o El Niño já elevou a temperatura média no Amazonas em 1,8°C.

Em uma escala de cinco níveis, que vai de neutra a muito forte, o cenário atual está no nível 4, considerado forte.

“A partir de setembro já estaremos na categoria muito forte, aquilo que a mídia tem chamado popularmente de super El Niño”, explica Wagner.

Em junho, a equipe do laboratório apresentou prognósticos para as indústrias em uma reunião na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Na ocasião, a estimativa era de que o nível do Rio Negro chegasse a 14,42 metros em 30 de outubro.

“Hoje essa projeção já mudou e o cenário é outro”, afirma Wagner. O novo cenário projetado pela equipe da UEA pode ser consultado por indústrias e pelo comércio, mas a necessidade de planejamento estratégico permanece.

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Equipe do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim) – Foto: PIM Amazônia

Próximos 60 dias

Nos últimos dias, grandes armadores internacionais anunciaram a cobrança de novas taxas de seca para operações com origem ou destino em Manaus durante a estiagem de 2026.

Para a equipe do Labclim, porém, não há previsão de seca severa nos próximos 60 dias que comprometa o calado nas atracações nos portos de Manaus.

Pelas projeções, o Rio Negro deve chegar a 19,01 metros em 9 de outubro.

“Esse é o cenário para 60 dias”, pontua Wagner.

A dinamarquesa Maersk anunciou, em 31 de julho, tarifa de US$ 1.228 por contêiner seco para cargas com origem ou destino em Manaus. A cobrança está prevista a partir de 10 de outubro para exportações de Manaus. Segundo a empresa, a aplicação dependerá da concretização das restrições de navegabilidade previstas para o período e de seus impactos nas operações.

Em 6 de agosto, a suíça MSC comunicou a aplicação de Low Water Surcharge (LWS) de US$ 1.400 por contêiner seco e US$ 1.900 por contêiner refrigerado para embarques com destino a Manaus. A cobrança terá início escalonado a partir de 5 de setembro, conforme a origem das cargas.

No dia seguinte, 7 de agosto, a francesa CMA CGM anunciou sobretaxa de US$ 753 por TEU, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. A cobrança está prevista a partir de 6 de setembro para embarques com origem em diferentes mercados internacionais com destino a Manaus e a partir de 5 de outubro para cargas com origem em Manaus.