Conexão Amazônia
Integração entre Bonfim e Lethem pode transformar fronteira em eixo logístico estratégico
Região entre Brasil e Guiana combina incentivos fiscais, comércio de importados e potencial de conexão com o Caribe
Ponte sobre o Rio Tacutu, na fronteira entre Bonfim e Lethem |
A relação transfronteiriça entre Bonfim, em Roraima, e Lethem, na Guiana, vem ganhando peso na integração econômica entre Brasil e Caribe. Separadas pela Ponte do Rio Tacutu, as duas cidades funcionam como pontos complementares de uma mesma engrenagem comercial, marcada pelos incentivos fiscais da Amazônia Ocidental, pelo comércio de importados e pela expectativa de consolidação de uma nova rota logística até Georgetown, capital guianense.
Do lado brasileiro, o principal diferencial está no regime administrado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Bonfim integra a Área de Livre Comércio de Bonfim, mecanismo criado para estimular a economia regional por meio de incentivos federais aplicados a produtos nacionais e importados, com foco no abastecimento local e na dinamização do comércio de fronteira.
Roraima também conta com a Área de Livre Comércio de Boa Vista, formando um ambiente de incentivos voltado ao desenvolvimento regional e à ampliação das relações comerciais com países vizinhos, especialmente Guiana e Venezuela.

Segundo dados da Suframa, de 2025, mais de 4.500 empresas são beneficiadas por incentivos federais nessas áreas.
Esse ambiente transforma Bonfim em um entreposto comercial relevante. A cidade reúne mercadorias com custos reduzidos, abastece parte do mercado roraimense e participa do fluxo de produtos que atravessa a fronteira para atender à demanda da Guiana.
Do outro lado da ponte, Lethem se consolidou como polo comercial de fronteira, impulsionado pelo acesso a produtos importados e pela ligação com Georgetown, principal porta marítima da Guiana. A cidade se tornou um centro de compras para consumidores brasileiros, com forte presença de comerciantes asiáticos e oferta de eletrônicos, vestuário, ferramentas, utensílios domésticos e outros bens de consumo.

Comércio em Lethem (Guiana) | Foto: Reprodução/Internet
A importância dessa fronteira cresceu junto com a transformação econômica da Guiana. Impulsionado pela exploração de petróleo em águas profundas, o país saiu de uma economia de baixa renda e mercado restrito para uma das trajetórias de crescimento mais aceleradas do mundo.
O comércio fronteiriço tende a ganhar novo impulso com as obras no corredor rodoviário entre Lethem, Linden e Georgetown. A pavimentação desse eixo é considerada estratégica porque pode reduzir custos, encurtar prazos de transporte e facilitar a circulação de mercadorias entre a fronteira com Roraima, o interior guianense e o porto de Georgetown.
Para Bonfim e Lethem, a rodovia pode reposicionar a fronteira como corredor logístico entre a Amazônia brasileira e o Caribe. A conexão abre caminho para que produtos brasileiros alcancem novos mercados por meio da Guiana.
