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Guiana oferece terras a produtores rurais para expandir agricultura

País tenta reduzir dependência de alimentos importados e diversificar economia impulsionada pelo petróleo

Foto: Reprodução/GO-Invest

Impulsionada pelas receitas do petróleo, a Guiana começou a buscar produtores rurais para ampliar a produção agrícola e reduzir a dependência da importação de alimentos. A estratégia mira principalmente o cultivo de grãos, como soja e milho, em áreas de savana próximas à fronteira com Roraima.

A principal iniciativa é a oferta de concessões de terras por até 99 anos, sem cobrança pela área. Em contrapartida, os produtores precisam apresentar um projeto agrícola e comprovar capacidade de investimento em infraestrutura, máquinas, sementes e insumos. Caso a área não seja cultivada, a concessão pode ser cancelada pelo governo.

Segundo reportagem da Gazeta do Povo, a Guiana possui cerca de 300 mil hectares de savanas aptas ao cultivo agrícola. As áreas têm características semelhantes às do Cerrado brasileiro e do Lavrado de Roraima, o que pode reduzir a necessidade de adaptação das tecnologias já usadas por produtores nacionais.

A intenção do governo guianense é transformar o país em um polo regional de produção agrícola.

O movimento ocorre em meio à tentativa de diversificar uma economia que passou a crescer rapidamente após a exploração de petróleo em águas profundas.

Logística ainda limita avanço

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Foto: Reprodução/Go-Invest

Apesar dos incentivos, a expansão agrícola enfrenta obstáculos. Entre eles estão a falta de mapeamento georreferenciado das áreas disponíveis, a escassez de dados sobre regime de chuvas e a barreira do idioma, já que a Guiana é o único país da América do Sul cuja língua oficial é o inglês.

A infraestrutura logística também pesa. A rodovia entre Lethem, na fronteira com Roraima, e Georgetown, capital e principal porto do país, ainda depende de obras para se tornar uma rota mais eficiente de escoamento. A ligação é considerada estratégica para transportar a produção agrícola tanto para o mercado interno quanto para exportações.

Ainda restam aproximadamente 400 quilômetros de pavimentação, com previsão de conclusão entre três e quatro anos, segundo a reportagem.

O interesse em produtores brasileiros está ligado à capacidade do país de desenvolver agricultura em áreas de savana e produzir grãos em escala. Para a Guiana, a ampliação da oferta de soja e milho pode abastecer a indústria de ração, fortalecer a produção de proteínas animais e reduzir a dependência de alimentos importados.

O plano também reforça o novo papel econômico da Guiana na região. Depois de se tornar uma das economias que mais crescem no mundo com o petróleo, o país tenta usar parte dessa receita para construir uma base produtiva menos concentrada no setor energético.

As oportunidades de investimento podem ser acessadas pelo site da Go-Invest, o Escritório de  Investimentos da Guiana.