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Tendência Energia mira expansão em Manaus com abertura do mercado livre para novos consumidores

Empresa atende indústrias do PIM e vê potencial de 10 mil clientes no Amazonas com nova regra do setor elétrico

Foto: Divulgação

A Tendência Energia mira uma nova fase de expansão em Manaus com a abertura gradual do mercado livre de energia no Brasil para consumidores do chamado grupo B, que inclui residências, pequenos comércios e outros clientes atendidos em baixa tensão. A empresa, especializada em gestão de contratos de energia elétrica, já atende indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM), incluindo clientes dos segmentos de duas rodas, termoplástico, metal e alimentício.

A carteira no Amazonas também inclui condomínios, supermercados e outros consumidores empresariais. De acordo com o coordenador regional da gestora, Jorge Chaparro, a gestão de contratos pode gerar economia de 10% a 20% na conta de energia, dependendo do perfil de consumo e das condições contratadas.

“Esse movimento deve ganhar força com a mudança na legislação, que estabeleceu novas regras para a abertura do mercado livre de energia. Estimamos que acontecerá com o setor energético o que aconteceu com o setor de telefonia, em que você hoje consegue escolher livremente a operadora”, afirmou.

A mudança citada por Chaparro faz parte da reforma do setor elétrico e da abertura do mercado livre prevista na Lei nº 15.269/2025. A partir do próximo ano, de forma gradual, o consumidor passará a ter liberdade para escolher seu fornecedor de energia elétrica e negociar preço, volume, prazo e tipo de fonte, sem permanecer restrito ao ambiente regulado das distribuidoras.

mercado

Para Chaparro, a nova regra abre uma janela de crescimento no Amazonas. Atualmente, o mercado livre de energia é restrito aos consumidores conectados em alta tensão.

Mudança no setor elétrico

A abertura do mercado livre deve ocorrer em etapas. A previsão é que consumidores industriais e comerciais tenham acesso mais amplo ao ambiente de contratação livre. Em seguida, a abertura deve alcançar outros perfis de consumidores, como os residenciais.

Para empresas do PIM, esse fator pode ter peso estratégico. A energia elétrica está entre os custos relevantes da operação industrial. “Esse tipo de contratação encontra hoje um ambiente seguro, com energia a preço fixo e previsibilidade”, destaca Chaparro.

A Tendência Energia administra uma carteira de cerca de 1 milhão de kilowatts em contratos. Em Manaus, a atuação junto a indústrias do Polo Industrial avança entre as empresas componentistas e outros consumidores empresariais.

A empresa trabalha com análise de viabilidade, migração, representação junto aos agentes do setor elétrico e gestão dos contratos no mercado livre. O objetivo é ajustar demanda, volume contratado, preço, prazos e perfil de consumo para reduzir custos e evitar riscos operacionais.

No caso das indústrias, a previsibilidade é um dos principais atrativos, segundo Chaparro. Ao contratar energia com preço previamente definido, a empresa consegue planejar melhor os custos de produção.

Abertura do mercado

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a abertura do mercado de energia elétrica para os consumidores de baixa tensão ocorrerá até novembro de 2027, para os consumidores das classes industrial e comercial, e até novembro de 2028 para os consumidores residenciais.

Hoje, o modelo de comercialização de energia no país é baseado em contratos bilaterais que podem ser firmados em um ambiente regulado ou de contratação livre.

No primeiro caso, os contratos são ficarmos entre as distribuidoras e vencedores dos leilões de energia. Já no mercado livre, os contratos são realizados por meio de comercialização bilateral, livremente negociados entre as partes.

No ano passado, mais de 21 mil novos consumidores adentraram o mercado livre de energia elétrica no Brasil, totalizando em torno de 85 mil participantes, responsáveis por cerca de 43% de toda a eletricidade consumida, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia (CCEE).

Com a mudança regulatória, a disputa pela gestão de energia deve ganhar força também no Amazonas.