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Mercado livre de energia oferece conta de luz até 35% mais barata para empresas no Amazonas

Modelo que permite escolher fornecedor de eletricidade avança no país e atrai empresas amazonenses

Foto: Divulgação

A possibilidade de reduzir custos de eletricidade em até 35% tem colocado o mercado livre de energia no radar de empresas amazonenses interessadas em negociar diretamente a compra de energia. O modelo, já adotado por cerca de 85 mil consumidores no país, permite contratos personalizados, maior previsibilidade de gastos e a escolha de fornecedores ligados a fontes renováveis, em um cenário de abertura gradual do setor elétrico brasileiro.

Diferente do mercado “cativo”, como é conhecido o modelo tradicional, onde o preço e o fornecedor já vêm definidos, no mercado livre há negociação direta com geradoras ou comercializadoras, permitindo a empresas de médio e grande porte buscar preços mais competitivos e contratos personalizados, optar por energia de fontes renováveis, além de ampliar a concorrência.

A economia pode variar entre 10% e 35%, dependendo do perfil e das condições de negociação.

Esse ambiente de contratação livre registrou, em 2025, a entrada de mais de 21,7 mil novos consumidores, totalizando aproximadamente 85 mil participantes, responsáveis por cerca de 43% de toda a eletricidade consumida no país.

O resultado acompanha um número recorde registrado em 2024, ano em que 26 mil novos consumidores adentraram no mercado. Os dados são da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

No Brasil, o modelo é oficialmente chamado de Ambiente de Contratação Livre (ACL) e convive com o Ambiente de Contratação Regulada (ACR), onde estão os consumidores residenciais e pequenos comércios, atendidos pelas distribuidoras.

Migração exige planejamento

Em entrevista à PIM AMAZÔNIA, o diretor da Tendência Energia, Wanderley Junior, pontuou que empresas interessadas em transicionar ao mercado precisam avaliar pontos como demanda contratada, perfil de consumo, riscos de exposição ao mercado de curto prazo e custos adicionais, os quais ele exemplificou com encargos e tarifas de uso da rede elétrica. Além disso, é comum e recomendável a contratação de consultorias ou comercializadoras especializadas para intermediar as negociações.

“O que o industrial, o CEO da sua indústria, o tomador de decisão tem que olhar é quem é que vai fornecer sua energia, tem que analisar qual o histórico dessa empresa. Qual é a carteira de cliente? Qual é a referência que esse fornecedor vai estar entregando? Ele precisa buscar agora minuciosamente quem é esse fornecedor por conta da segurança no fornecimento de energia. Então, faça sua pesquisa, olhe de fato quem é esse gerador de energia e o que ele está representado no mercado”, contou refletindo que, hoje, por conta dos preços, muitas comercializadoras têm quebrado, deixando de cumprir acordos.

Wanderley Junior PIM Amazonia

Wanderley Junior, diretor da Tendência Energia

“Falando um pouco da Tendência Energia, fazemos questão de conectar o consumidor final diretamente às geradoras, que são as empresas responsáveis pela produção de energia. Desenvolvemos esse modelo justamente para eliminar intermediários e aproximar o cliente da fonte, o que aumenta significativamente a transparência e a confiabilidade na contratação”, frisou.

Expansão no Brasil tem sido gradual

Mudanças regulatórias conduzidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME) têm alterado o cenário.

Em novembro de 2025, foi aprovada a Lei n° 15.269, que estabelece a abertura gradual do mercado para consumidores de baixa tensão, incluindo pequenos comércios e, futuramente, residências, conhecidos como grupo B. A estimativa é que mais de 90 milhões de consumidores brasileiros sejam beneficiados com a abertura.

A medida prevê ampliação do acesso até 2027 para empresas menores e até 2028 para consumidores residenciais, uma mudança estrutural no setor elétrico brasileiro.

Desde janeiro de 2024, todos os consumidores do chamado Grupo A, ligados em média e alta tensão, passaram a ter o direito de escolher seu fornecedor.

Sustentabilidade e diferencial amazônico

No mercado livre, consumidores podem optar por adquirir energia proveniente de usinas eólicas, solares, hidrelétricas ou de biomassa, o que fortalece a agenda de sustentabilidade corporativa. Esse movimento dialoga com compromissos ambientais e práticas de ESG (sigla para Ambiental, Social e Governança), adotadas por empresas focadas em agendas globais de sustentabilidade.

“Imagina que hoje a energia consumida aqui dentro dos nossos clientes vêm de fontes limpas: eólica, solar ou hídrica. Somente dessas três fontes. A gente está falando aqui de uma geração eólica, por exemplo, à noite, de uma geração solar durante a manhã e também de uma geração hídrica durante o dia todo. E o que é mais importante nessa história toda, como eu acabei de dizer, principalmente aqui na região amazônica, é a sustentabilidade, é a questão da preservação da natureza”, disse Wanderley Junior.

Nesse sentido, na Região Norte, com abundância de água em razão do fator amazônico, há um fortalecimento para captação de energia hídrica, e é preciso aproveitar tamanha riqueza. Por isso, aponta Wanderley, é importante buscar também um gerador que trabalhe com energia sustentável.

“Hoje a gente está praticamente com todos os rios cheios, trabalhando e operando com as usinas hídricas a todo vapor. Então, a Região Norte é muito rica com relação a essa questão da energia hídrica sustentável e renovável. Porque a energia é sustentável e renovável sem agressão ao meio ambiente. Imagina que a água passou por uma turbina e ela segue o rumo dela. Não houve mais nada, diferente de uma usina termoelétrica, onde você vai colocar diesel e vai estar poluindo o ambiente”, aponta.

Então, outro benefício é esse, frisa o diretor: “o consumidor tem o poder de escolher. Você quer uma energia que está poluindo ou uma energia que não está poluindo? Então, isso é legal para todos os consumidores aqui da região”.