MENU
Buscar

UEA e Suframa apresentam cenário da estiagem em 2026 e alertam as indústrias para planejamento logístico

Projeções climáticas reforçam a necessidade de planejamento antecipado das indústrias do Polo de Manaus

Foto: Divulgação/Suframa

O Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (Labclim/UEA) e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) realizaram, nesta terça-feira (2), a palestra “Prognóstico Climático para a Cheia e Vazante no Amazonas 2026”, para debater cenários climáticos e subsidiar ações preventivas que evitem o desabastecimento e interrupções na produção do Polo Industrial de Manaus (PIM).

O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, ressaltou a importância da integração entre ciência e setor produtivo, para possibilitar decisões mais apropriadas diante dos desafios climáticos. “Nosso objetivo é transformar conhecimento científico em informação estratégica para que as empresas possam se planejar com antecedência e reduzir riscos à produção e ao abastecimento durante os períodos de estiagem”, frisou.

Os professores da universidade, Francis Wagner Silva Correia e Fabiana Lucena Oliveira, apresentaram análises sobre as perspectivas climáticas para o Amazonas e os possíveis reflexos para a logística regional. Foram abordados cenários, impactos sobre o transporte de cargas e recomendações para o planejamento das atividades produtivas.

Para Fabiana, o projeto vem aperfeiçoando ferramentas para antecipar tendências climáticas e seus efeitos sobre as operações do PIM. “Desde 2023, trabalhamos para evitar o efeito surpresa causado pelos eventos extremos registrados naquele ano. É fundamental divulgar informações que permitam às instituições se planejar com antecedência diante de possíveis ocorrências climáticas severas”, afirmou a professora.

A professora ressaltou ainda que o projeto realiza previsões com horizonte de 30 a 45 dias e expectativa de acerto de aproximadamente 80%, permitindo avaliar possíveis impactos logísticos e apoiar a tomada de decisões por parte das empresas e gestores públicos.

WhatsApp Image 2026 06 03 at 10.00.16 1

Foto: Divulgação/Suframa

Nesse cenário, Francis informou que as projeções do Labclim indicam a permanência de condições associadas ao fenômeno El Niño entre os meses de julho e agosto, com intensidade entre moderada e forte. Apesar do alerta, a expectativa é de que a estiagem deste ano não seja tão severa quanto a histórica seca de 2023.

“Esperamos uma seca dentro do padrão de um El Niño moderado a forte, sem repetir os níveis extremos registrados em 2023. Ainda assim, recomendamos que as empresas adotem planejamento estratégico e antecipem a chegada de insumos e materiais, evitando depender do transporte de cargas durante o período do pico da seca, previsto para outubro e novembro”, explicou o coordenador do Labclim.

Planejamento

A iniciativa de monitorar e projetar os efeitos da estiagem faz parte de uma estratégia adotada pela indústria para reduzir riscos operacionais e garantir maior previsibilidade às empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus.

O objetivo é evitar a repetição dos impactos observados durante a seca histórica de 2023, quando a redução drástica dos níveis dos rios comprometeu o transporte de insumos e mercadorias, provocando atrasos na produção e elevando os custos logísticos. Com informações antecipadas sobre o comportamento climático, o setor produtivo busca ajustar estoques, planejar rotas e minimizar possíveis prejuízos durante o período de vazante.