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Tutiplast vence prêmio nacional com projeto que une indústria plástica e bioeconomia amazônica

Presente há mais de 30 anos no PIM, empresa é destaque em descarbonização ao desenvolver biocompósitos com fibras amazônicas

Foto: Divulgação/Tutiplast

A Tutiplast Indústria e Comércio, com mais de três décadas de atuação no setor termoplástico em Manaus, foi uma das vencedoras do 9º Prêmio Nacional de Inovação (PNI), anunciado nesta quinta-feira (26), em São Paulo. A companhia conquistou o 1° lugar na categoria “Descarbonização”, no segmento de Grandes Empresas. 

O reconhecimento nacional coloca em evidência um projeto desenvolvido pela empresa que conecta a indústria de plásticos à bioeconomia amazônica, ao substituir parcialmente insumos derivados de petróleo por fibras naturais da região.

Entre elas, estão a fibra do ouriço da castanha-da-Amazônia, tradicionalmente descartada após o extrativismo; e o curauá, planta nativa com elevada resistência mecânica. 

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Esses materiais são incorporados a resinas termoplásticas, mantendo desempenho técnico equivalente ao dos produtos convencionais, mas com redução significativa da pegada de carbono.

As soluções foram desenvolvidas para operações em escala industrial, a fim de atender segmentos como o automotivo, eletroeletrônico e de embalagens, demonstrando viabilidade econômica e potencial de replicação.

O projeto conta, desde o ano passado, com cerca de R$ 10 milhões em incentivos da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), por meio da chamada pública Finep Amazônia.

Empresa gera empregos no interior

Além do ganho ambiental, o modelo estruturado pela empresa também promove inclusão produtiva ao envolver comunidades rurais fora de Manaus no fornecimento das fibras. “O setor termoplástico tem poder de encadeamento produtivo com a cadeia de fornecimento, induzindo mais atividades para além da região metropolitana”, frisou o gerente de novos negócios da empresa, Fabio Calderaro, em entrevista à PIM Amazônia.

Atualmente, mais de 70 famílias de agricultores participam da cadeia, especialmente na região de Novo Remanso, em Itacoatiara, o que contribui para a geração de renda e a valorização de atividades sustentáveis no interior do Amazonas.

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Recentemente, a empresa montou uma cooperativa industrial em Lábrea, que envolve produtores extrativistas no manejo de ouriço de castanha-da-Amazônia. No espaço, os trabalhadores executam tarefas que vão desde a lavagem até a embarcação da matéria-prima.

“Quando você gera emprego e renda para atividades sustentáveis no interior, você gera alto custo de oportunidade para atividades predatórias [de alto impacto ambiental]. Então, o homem do interior não precisa ir para atividades como garimpo ou extração ilegal de madeira. E ele se fixa ali no território; ele não precisa sair dali para procurar emprego em Manaus ou em outro lugar”, completou Calderaro.

Nova alternativa

O projeto também incorpora avanços técnicos relevantes, como o melhoramento genético das plantas, a padronização da qualidade das fibras e o desenvolvimento de soluções logísticas adaptadas às condições da Amazônia. 

Essa integração entre inovação tecnológica e organização da cadeia produtiva tem permitido à Tutiplast consolidar uma alternativa concreta de descarbonização para o PIM, alinhada às demandas de clientes que buscam reduzir emissões em suas cadeias produtivas.