Logística
TranspoAmazônia 2027 projeta R$ 1,5 bilhão em novos negócios
Construção naval ganha espaço na programação do evento, que também terá cabotagem entre os principais temas em Manaus
A construção naval será um dos principais eixos da TranspoAmazônia 2027, que irá acontecer nos dias 19 a 21 de maio, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus. Em sua quarta edição, a feira passa a adotar oficialmente o nome Feira e Congresso Internacional de Transporte, Logística e Construção Naval, ampliando o escopo do evento para incluir um dos segmentos ligados à economia e à logística do Amazonas.
A mudança foi anunciada durante o lançamento da edição nesta quarta-feira (19) Segundo a organização, a inclusão da construção naval atende a uma demanda do setor produtivo e busca ampliar o debate sobre transporte fluvial, cabotagem, infraestrutura, tecnologia e desenvolvimento regional.
Para a próxima edição, o presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz), Irani Bertolini, projeta investimentos superiores aos registrados na edição de 2026.

“ Esse ano tivemos um sucesso muito bom, perto de 1 bilhão e 200 de investimentos. E agora, para o ano que vem, a gente espera chegar a 1 bilhão e meio de negócios dentro da feira”
Investimentos retomam espaço no setor naval
A retomada de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo da Marinha Mercante também tem movimentado o segmento na Região Norte. Nos últimos três anos, foram destinados R$ 406,7 milhões para investimentos, com a entrega de 70 embarcações.
Entre os empreendimentos beneficiados está o estaleiro Juruá, em Iranduba, que recebeu a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio deste ano.
Dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), referentes a 2023, apontam faturamento anual de aproximadamente R$ 2,5 bilhões para o polo naval do Amazonas. Naquele período, o Estado contabilizava 233 obras contratadas.
O setor também emprega mais de 15 mil trabalhadores diretamente no Amazonas, segundo os dados apresentados no lançamento da feira.
Para Bertolini, idealizador da feira, a inclusão da indústria naval amplia o papel do evento na discussão sobre desenvolvimento regional.
“O Amazonas tem, historicamente, a vocação natural e todas as condições de liderar esses setores no continente. Com a inclusão da construção naval na TranspoAmazônia 2027, queremos colaborar com o setor público, a sociedade e tirar do papel projetos para desenvolver o estado, gerar emprego e renda de modo sustentável, sem derrubar nenhuma árvore”, afirmou.

Foto: Kamilly Pequeno/PIM Amazônia
Segundo Bertolini, embarcações produzidas no Amazonas já são utilizadas em diferentes segmentos no país, incluindo transporte de cargas, operações ligadas ao setor de petróleo, grãos e minérios.
Cabotagem entra na programação
A cabotagem também será incorporada aos debates da edição de 2027. O modal permite o transporte de cargas entre portos brasileiros e é apontado pelo setor como uma alternativa para ampliar a participação do transporte hidroviário, reduzir a dependência do modal rodoviário em longas distâncias e integrar diferentes regiões do país.
Na Amazônia, o tema se relaciona diretamente à indústria naval e à estrutura de transporte fluvial. A proposta da organização é discutir a conexão entre a produção de embarcações no Amazonas, as rotas nacionais de cargas e a integração logística entre o Norte e outras regiões brasileiras.
Tecnologia, inovação, segurança e sustentabilidade também estarão entre os temas previstos para a próxima edição.
Feira amplia estrutura
Além da expansão da programação, a TranspoAmazônia 2027 deverá crescer em estrutura. A dez meses do evento, 60% dos estandes e espaços já estavam comercializados, segundo a organização.
A feira pretende ampliar a participação de empresas, investidores e representantes dos segmentos de transporte, logística e construção naval.
“Em 2027 queremos ampliar esse diálogo, trazer mais investidores e mostrar que podemos crescer de forma competitiva e sustentável na região”, afirmou Bertolini.
Com a inclusão da construção naval e da cabotagem entre os principais temas, a TranspoAmazônia 2027 amplia a abordagem sobre a infraestrutura de transporte da Amazônia e coloca a atividade naval no centro das discussões sobre logística, investimentos e desenvolvimento regional.
