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Seca reduz profundidade do Rio Tapajós e acende alerta para transporte de cargas

Trechos entre Itaituba e Santarém apresentam profundidade abaixo do calado necessário para embarcações em plena carga

Rio Tapajós - Foto: Lado de Almeida

A temporada de seca na bacia amazônica voltou a impor barreiras físicas à hidrovia do Rio Tapajós, rota vital para o escoamento da produção agrícola paraense. A queda expressiva no volume de água reduziu a profundidade em trechos cruciais entre Miritituba e Santarém, acendendo o sinal amarelo nas operações de comboios de barcaças e na cadeia de suprimentos da região.

Monitoramento de cotas e os “passos críticos”

Levantamentos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) mostram que, enquanto as embarcações de grande porte necessitam de um calado operacional de 4,5 metros a plena carga, a realidade dos canais já apresenta restrições. As réguas indicam marcas de 3,44 metros em Itaituba e 3,84 metros em Santarém.

Apesar de o cenário atual manter margem em relação à estiagem histórica de 2024 — quando o nível despencou para alarmantes 0,83 metro —, os técnicos alertam que a média da régua não reflete a realidade de todo o leito.

O percurso esbarra nos chamados “passos críticos”, trechos repletos de bancos de areia e formações rochosas submersas. Áreas como Fordlândia, Barreiras, Pimental, além de pontos específicos nas imediações do Pedral do Surucuá e da Ilha Barranco do Navio, registram passagens rasas que podem perfis inferiores a 2,5 metros no pico da vazante.

Reflexos na movimentação portuária e escoamento

Até o momento, a Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (AMPORT) aponta que o fluxo de mercadorias permanece mantido, sem reduções imediatas de peso nos comboios. Contudo, o setor logístico já se movimenta para possíveis ajustes operacionais nas próximas semanas.

O escoamento pelo Tapajós representa um pilar estratégico para o transporte de commodities, tendo movimentado mais de 2,2 milhões de toneladas — com forte predominância da soja — no primeiro bimestre do ano.

Com o avanço natural da vazante, a regulamentação da Marinha exige atenção redobrada: caso o nível da régua em Itaituba atinga a marca de 3 metros, as empresas do setor serão obrigadas a executar levantamentos hidrográficos minuciosos para assegurar a navegabilidade segura nos canais.

 

Fonte: Amazonas Atual