Bioeconomia
Remata: reflorestar a Amazônia e transformar carbono em riqueza
Iniciativa prevê reflorestar áreas degradadas da Amazônia com sistemas agroflorestais, aliando geração de renda, créditos de carbono e inclusão produtiva para formar uma nova bioeconomia sustentável
Na região amazônica, onde os desafios socioambientais persistem mesmo diante da importância ecológica global do bioma, uma nova iniciativa busca conciliar conservação ambiental, desenvolvimento econômico e justiça social. Trata-se do projeto Remata, idealizado pelo empresário Denis Minev, conhecido por sua atuação no setor privado e pela defesa do desenvolvimento sustentável na região. A iniciativa propõe a implantação de sistemas agroflorestais em áreas degradadas como estratégia de restauração da floresta, geração de renda e inclusão produtiva.
A proposta tem como foco principal transformar a floresta em um ativo econômico de longo prazo, utilizando práticas sustentáveis que combinem culturas agrícolas com espécies nativas, respeitando os ciclos naturais e o conhecimento tradicional dos territórios amazônicos. O projeto prevê investimentos diretos em pequenos produtores locais que já possuem terras, oferecendo recursos financeiros, assistência técnica continuada e acompanhamento de desempenho.
De acordo com Minev, a viabilidade econômica da floresta em pé depende de políticas públicas adequadas, acesso ao crédito, capacitação técnica e inserção desses produtores no mercado, inclusive no setor de créditos de carbono. A proposta considera que, com apoio e planejamento, é possível transformar a estrutura produtiva local, fortalecendo a bioeconomia como alternativa concreta à exploração predatória dos recursos naturais.


O projeto parte da implantação de sistemas agroflorestais produtivos em áreas já degradadas da Amazônia. A proposta, ao mesmo tempo simples e robusta, consiste em investir diretamente em empreendedores locais que tenham acesso à terra, oferecendo apoio técnico e recursos para implantação de modelos que integram árvores nativas com cultivos agrícolas como cacau, açaí, banana e madeira legalizada.
“É preciso polinizar os municípios com empreendedores sustentáveis e regenerativos”, salienta Minev. “Com um investimento de R$ 50 mil por hectare ao longo de 3 a 5 anos, é possível produzir alimentos, armazenar carbono, recuperar parte da biodiversidade e do ciclo da água, além de gerar empregos e riqueza local”, acrescenta.
A meta é formar dez mil novos empreendedores regenerativos por ano, o que representa cerca de 20 por município amazônico. Em um período de cinco a dez anos, a estimativa é que essa força produtiva seja capaz de provocar uma inflexão econômica e cultural significativa na região.
Inicialmente, o plano prevê o “rematamento” de 50 mil hectares por ano, com potencial para capturar mais de 12 milhões de toneladas de carbono em médio prazo. O impacto, no entanto, vai além da questão ambiental: projeta-se a criação de mais de 25 mil empregos por ano, além da ampliação da segurança alimentar nas comunidades participantes.
Créditos de carbono impulsionam agroflorestas e movimentam economia
Um dos diferenciais do Projeto Remata está em sua conexão direta com o mercado de créditos de carbono. Estima-se que cada hectare reflorestado nos moldes propostos pode armazenar cerca de 250 toneladas de carbono a mais do que um pasto convencional. Se esse carbono for precificado a R$ 250 por tonelada, como sugerido por Minev, a renda obtida cobre mais de 120% do investimento inicial.
Além dos créditos ambientais, os agroecossistemas implementados podem gerar uma receita média anual de R$ 60 mil por hectare, após os primeiros anos de implantação. Essa produção combina cultivos agrícolas e madeireiros de forma sustentável. Estima-se ainda que cada hectare seja capaz de gerar cerca de 0,5 empregos diretos, fortalecendo a economia local e estimulando a permanência das famílias no campo.


Projeto Remata se apresenta à COP30 como proposta de regeneração global
Com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em novembro, em Belém (PA), o projeto Remata se posiciona como uma proposta concreta e estruturada para contribuir com as discussões globais sobre o futuro da Amazônia e do planeta. Denis Minev defende que a iniciativa integre um amplo mutirão internacional em prol da floresta, ancorado em financiamento externo, suporte técnico especializado e articulação multissetorial entre governos, empresas e sociedade civil.

Denis Minev
“Reconhecendo que a Amazônia manteve mais de 80% de seu bioma conservado, mas permanece no nadir econômico-social, o mutirão é necessário para construir um caminho de prosperidade não destrutiva”, argumenta o empresário.
Segundo ele, o projeto já dialoga com pelo menos oito dos 30 objetivos estratégicos da COP30, entre eles o combate à pobreza, a segurança alimentar, a transição energética, a conservação ambiental e o fomento a uma bioeconomia fundamentada no conhecimento.
Por Amanda Gabriele, estagiária sob a supervisão de Francisco Gomes (MTB 2238/AM)
