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Canaã dos Carajás impulsiona superávit de US$ 11,38 bilhões da balança comercial do Pará

Mineração segue como a principal atividade exportadora do estado

Complexo de minério de ferro S11D, da Vale, em Canaã dos Carajás (PA) | Foto: Divulgação

Com destaque entre os três municípios que mais exportam no Brasil, a cidade paraense de Canaã dos Carajás reafirma o protagonismo do Estado na economia nacional e lidera um desempenho que colocou o Pará entre os principais exportadores do país no primeiro semestre de 2026. No período, as exportações paraenses totalizaram US$ 13 bilhões, crescimento de 18%, e registrou um superávit comercial de US$ 11,38 bilhões, resultado da diferença entre as exportações e as importações, que somaram US$ 1,61 bilhão.

De acordo com o levantamento do Centro Internacional de Negócios da FIEPA (FIEPA CIN), o resultado elevou a participação do Pará para 7,04% das exportações brasileiras, acima dos 6,65% registrados anteriormente. Com isso, o estado ocupa a quinta posição nacional em exportações e a quarta colocação em saldo da balança comercial, reforçando sua relevância na pauta exportadora brasileira.

O complexo mineral da região de Carajás continua como o principal motor desse desempenho. O município liderou o ranking estadual ao exportar US$ 3,59 bilhões, impulsionado principalmente pelo minério de ferro. Na sequência aparecem Marabá, com forte participação do minério de cobre, e Parauapebas, também sustentado pela produção mineral.

Enquanto os municípios do sudeste paraense concentram a maior parte das vendas externas do estado, Belém aparece na 11ª posição estadual, evidenciando o peso econômico crescente do interior na geração de divisas.

A mineração permaneceu como a principal atividade exportadora do estado, respondendo por US$ 10,12 bilhões das vendas externas no semestre. O minério de ferro continuou liderando a pauta, com US$ 5,1 bilhões, crescimento de 3,35%, tendo a China como principal destino. O maior destaque, entretanto, ficou com o minério de cobre, que alcançou US$ 3,07 bilhões, registrando expressiva expansão de 83,8%.

Outros minerais também apresentaram comportamentos distintos. As exportações de ouro cresceram 41,16%, enquanto a alumina calcinada registrou retração de 48,75%, refletindo oscilações do mercado internacional e da demanda pelos diferentes produtos minerais.

Agroindústria em expansão

Embora a mineração siga predominante, o primeiro semestre também evidenciou o avanço da diversificação da pauta exportadora paraense. Entre os produtos não tradicionais, a soja movimentou US$ 1,24 bilhão, crescimento de 36,55%. O milho apresentou o maior avanço proporcional, com alta de 437,33%, ampliando sua participação nas exportações estaduais.

Nos segmentos tradicionais, o suco de frutas registrou crescimento de 9,46%, enquanto as exportações de carnes bovinas avanço de 30,41%. Também apresentaram retração as vendas de bovinos vivos 51,74% e de sementes de gergelim 5,87%.

O mercado asiático manteve-se como principal destino das exportações paraenses, respondendo por 57,54% das vendas externas, equivalentes a US$ 7,48 bilhões. A China permaneceu como maior parceiro comercial individual, concentrando 40,47% das exportações do estado.

A União Europeia também ampliou significativamente sua participação, registrando crescimento de 72,25% no semestre. Em contrapartida, as exportações destinadas à América do Norte e ao Oriente Médio apresentaram retrações de 34,35% e 27,72%, respectivamente.

Insumos importados

As importações paraenses totalizaram US$ 1,61 bilhão no primeiro semestre, crescimento de 24,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Grande parte dessas compras concentrou-se em bens intermediários e de capital, como fertilizantes, combustíveis, máquinas e equipamentos utilizados pela indústria e pelo agronegócio. Os principais fornecedores foram Estados Unidos, Rússia, China e México.

“O cenário observado evidencia uma economia altamente especializada na exportação de commodities minerais, com avanços pontuais na diversificação por meio da agroindústria. O desempenho foi sustentado pela demanda internacional, sobretudo asiática, ao passo que o

crescimento das importações acompanhou a necessidade de suporte à produção. Assim, Pará se consolida como um dos principais polos do comércio exterior brasileiro”, avaliou Cassandra Lobato, gerente da FIEPA CIN.