Logística
Nova base do Grupo Atem em Itacoatiara reforça abastecimento de combustíveis no Amazonas
Base fluvial integra monitoramento climático, antecipação de estoques e ampliação da frota de balsas-tanque
Foto: Divulgação/Grupo Atem
O Grupo Atem deu início oficial neste sábado (3) às operações de sua base fluvial em Itacoatiara (AM). Estruturada pela Navemazônia, braço de logística fluvial do conglomerado, a iniciativa marca o início das operações de transferência de cargas (ship-to-barge) com navios, integrando o planejamento estratégico para mitigar os impactos de eventuais restrições à navegação na bacia amazônica e garantir a segurança no abastecimento de combustíveis na região.
A mobilização da infraestrutura em Itacoatiara combina monitoramento hidrológico contínuo, antecipação de viagens e estoques, e o reforço expressivo da frota de embarcações. O planejamento é fundamentado em projeções do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Atualizações divulgadas pelo laboratório indicam que o fenômeno El Niño atingiu a categoria “muito forte”, com potencial para influenciar o regime de chuvas e os níveis dos rios até março ou abril de 2027. Embora o Rio Negro em Manaus mantenha-se em processo de descida dentro da normalidade para o período, a maior atenção recai sobre o Alto Rio Negro, onde as precipitações e os volumes seguem abaixo do padrão histórico.
Logística integrada e ampliação da frota de balsas
Para enfrentar o cenário, o Grupo Atem uniu a experiência prática acumulada nas severas estiagens de 2023 e 2024 à atuação coordenada de suas empresas — a Refinaria da Amazônia, a Atem Distribuidora, a Navemazônia e a Rodoamazônia (transporte rodoviário).
Como reflexo dessa preparação, o número de balsas-tanque empregadas na operação deste ano mais do que dobrou em relação a 2024, ampliando a flexibilidade no remanejamento de estoques e na adequação dos modais de transporte.
“Nas estiagens anteriores, aprendemos na prática que não existe uma única solução para enfrentar as restrições de navegabilidade. É preciso combinar antecipação de estoques e viagens, diferentes embarcações, rotas e modais. Hoje, somamos essa experiência às informações produzidas pelo monitoramento climático para tomar decisões com maior antecedência”, aponta Guilherme Santana, vice-presidente de Distribuição e Operações do Grupo Atem.
Adaptação logística: do navio à balsa na Costa do Tabocal
Um dos principais gargalos logísticos durante a vazante é a Costa do Tabocal, trecho crítico na rota de acesso a Manaus onde a redução da profundidade do rio restringe a passagem de navios de grande porte carregados com petróleo e derivados.
Com a base em Itacoatiara, instalada em área de fundeadouro homologada no Rio Amazonas, a modalidade ship-to-barge permite que o carregamento seja fracionado de navios para balsas-tanque de menor calado, capazes de navegar com segurança até a Refinaria da Amazônia. A estrutura também viabiliza o processo inverso (barge-to-ship) e o escoamento rodoviário ou fluvial para municípios do interior.
Garantia de energia para os municípios do sistema isolado
A flexibilidade operacional é vital para o atendimento às cidades integradas ao sistema isolado de geração de energia elétrica.
Atualmente, o Grupo Atem fornece combustível para mais de 90% das usinas termelétricas no Amazonas, insumo indispensável para o funcionamento de hospitais, escolas, delegacias, serviços públicos essenciais e residências.
“Quando planejamos a logística para a estiagem, olhamos toda a jornada do combustível. Há localidades em que esse abastecimento também está diretamente ligado à geração de energia e ao funcionamento de serviços essenciais. Por isso, estoques, embarcações, rotas e alternativas precisam estar preparados antes do período mais crítico”, reforça Guilherme Santana.

