Infraestrutura
Ministério de Portos e Aeroportos vai destinar R$ 1,8 bi até 2027 para modernizar infraestruturas regionais
Plano de investimentos prevê 34 obras em 16 estados que atuam como pontos estratégicos de logística e suporte para o agronegócio brasileiro
Aeroporto de Petrolina (PE) |
Em importantes polos agrícolas do país, os aeroportos regionais consolidam-se como pontos estratégicos para o agronegócio brasileiro, garantindo agilidade logística e suporte operacional às cadeias produtivas nacionais. Para fortalecer essa infraestrutura, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou, em dezembro de 2025, um plano de investimentos de R$ 1,8 bilhão para o ciclo 2026-2027, destinado à ampliação, modernização e qualificação de 34 empreendimentos em 31 aeroportos de 16 estados, buscando fortalecer a aviação regional e ampliar a conectividade aérea em áreas com menor oferta de transporte.
Outra frente importante é o programa AmpliAR, criado para levar os benefícios das concessões federais à aviação regional. Em sua primeira rodada, no fim de 2025, a iniciativa garantiu R$ 731,6 milhões em investimentos privados para 13 aeroportos regionais, como o Aeroporto de Porto Alegre do Norte, em Mato Grosso, que tem forte vocação agropecuária. Com o novo aeroporto modernizado, produtores, empresas e empreendedores terão maior agilidade para deslocamentos, transporte de cargas, negócios e conexões estratégicas com o restante do país.
O papel dessas estruturas ganha ainda mais relevância durante períodos de plantio e colheita, quando qualquer interrupção operacional pode gerar prejuízos significativos. A conectividade aérea permite respostas mais rápidas a demandas emergenciais e reduz gargalos logísticos em áreas onde as distâncias são extensas e a infraestrutura terrestre nem sempre atende à velocidade exigida pelo setor.

Além disso, a atividade agrícola depende cada vez mais de operações de alta precisão, o que torna a logística aérea um importante aliado para garantir que insumos e serviços especializados cheguem rapidamente às propriedades rurais. O transporte aéreo permite, por exemplo, a movimentação de sementes de alto valor agregado, defensivos biológicos e outros produtos sensíveis ao tempo de entrega. Também facilita o deslocamento de agrônomos, engenheiros, pilotos, mecânicos e equipes técnicas que atuam em diferentes regiões produtoras ao longo do ano.
O ministro Tomé Franca ressaltou a contribuição dos aeroportos para o fortalecimento das cadeias produtivas do interior. “Em muitas regiões, os aeroportos regionais são muito mais do que pontos de embarque e desembarque de passageiros. Eles apoiam a produção, aproximam empresas, facilitam o acesso a serviços especializados e ajudam a conectar o agronegócio brasileiro aos mercados nacionais e internacionais. Por isso, ampliar e modernizar essa infraestrutura é uma prioridade para o Governo do Brasil”, afirmou.
Base para a aviação agrícola
Outra contribuição relevante dos aeroportos regionais está no suporte à aviação agrícola, segmento que desempenha papel importante na produtividade do campo. As aeronaves são usadas em atividades como aplicação de defensivos, fertilizantes e produtos biológicos, semeadura aérea e combate a incêndios florestais. Também ajudam no controle de pragas e doenças e na execução de operações em grandes áreas de cultivo ou em locais de difícil acesso terrestre.

Aeroagrícola | Foto: Reprodução
O setor está em franca expansão. Segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), a frota aeroagrícola brasileira reúne cerca de 2,7 mil aeronaves e pode ultrapassar 3 mil aviões e helicópteros em operação até 2027, crescimento próximo de 10%. O Brasil possui hoje a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Em Petrolina (PE), por exemplo, o Aeroporto Senador Nilo Coelho desempenha papel estratégico para o escoamento da produção do Vale do São Francisco, principal polo exportador de frutas do país. Com estrutura preparada para o armazenamento refrigerado e embarque de cargas perecíveis, o terminal apoia a exportação de produtos como manga, uva e banana para mercados da Europa, Estados Unidos, África e China, demonstrando como a infraestrutura aeroportuária pode ampliar a competitividade de regiões produtoras e conectar o interior brasileiro ao comércio internacional.
