Meio Ambiente
Manaus amanhece sob fumaça e Defesa Civil emite alerta de risco severo à saúde
Capital enfrenta novo episódio de poluição atmosférica após registro de 490,1 µg/m³ de partículas finas e avanço das queimadas no Amazonas
Foto: Divulgação
A sexta-feira (9) começou sob uma densa camada de fumaça em Manaus, refletindo mais um episódio crítico de poluição atmosférica na capital amazonense. Diante do cenário de risco severo à saúde pública, a Defesa Civil Municipal emitiu um alerta de emergência diretamente para os celulares da população, recomendando o uso de máscaras ao ar livre e a restrição da exposição externa.
O aviso enviado reforça a gravidade do momento: “Defesa Civil, alerta risco severo qualidade do ar. Use máscara ao sair de casa e evite exposição à fumaça”. A medida acompanha os índices alarmantes registrados nos sistemas de monitoramento da cidade.
Índices atuais e histórico de poluição
De acordo com a atualização do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) às 07:29 desta sexta-feira (9), a qualidade do ar em Manaus registra um Índice de Qualidade do Ar (IQA) de 113 µg/m³ , classificado como Prejudicial a grupos sensíveis — faixa em que crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas podem apresentar sintomas.
O cenário atual, embora apresente oscilações em relação aos picos anteriores, mantém-se crítico. Na madrugada de quinta-feira (8), o próprio aplicativo da Selva captou concentrações extremas de partículas finas que atingiram 490,1 microgramas por metro cúbico ( µg/m³ ), o pior índice registrado na capital ao longo de 2026, colocando Manaus no topo do ranking global de pior qualidade do ar monitorado pela plataforma internacional IQAir.
Previsão do tempo e impacto das chuvas
Apesar do calor extremo e da fumaça, não há previsão de chuva para esta sexta-feira. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) hoje deve haver calor persistente, com máximas de 37°C e umidade relativa mínima oscilando entre 35% e 30%.
No fim de semana, entretanto, o panorama meteorológico traz leves mudanças. No sábado (10), há a possibilidade de chuva isolada, com temperatura máxima ainda atingindo 37ºC. Já no domingo (11), a previsão indica pancadas de chuvas e trovoadas isoladas.
Eventuais precipitações podem reduzir temporariamente as partículas suspensivas e umedecer a vegetação onde ocorrerem; contudo, não garantem a dispersão regional imediata da fumaça ou a extinção dos focos de incêndio, efeitos que dependem da abrangência da chuva, dos ventos e da continuidade das emissões.
A meteorologia confirma o calor persistente característico da estação, sem configurar uma onda de calor atípica oficial para a capital.
Avanço das queimadas pressiona o ecossistema regional
A fumaça que sufoca a Zona Urbana é impulsionada principalmente pelo avanço expressivo de focos de calor e incêndios florestais no interior do estado. Dados consolidados pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) apontam 6.901 focos de queimadas acumulados até o dia 8 de outubro de 2026.
Desse total:
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3.485 registros concentram-se no sul do estado;
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1.655 ocorrências afetam diretamente a Região Metropolitana de Manaus;
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Focos críticos foram mapeados em municípios como Careiro da Várzea e Parintins.
Enquanto a Prefeitura de Manaus aponta que parte da névoa densa tem origem em grandes incêndios no município de Itacoatiara — incluindo o foco no Lago do Canaçari ativo há quase três semanas —, a capital também enfrenta focos internos persistentes, como o incêndio de grandes proporções que atinge o Distrito Industrial II há 48 horas.
Contudo, vale destacar que de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Manaus está entre as cidades com menor número de focos de incêndio no Amazonas.
Resposta institucional e cuidados com a saúde
Para frear a crise ambiental, o Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, liderado pelo Governo do Amazonas, mantém operações emergenciais com reforço de efetivo, viaturas e suporte aéreo para o combate às chamas.
No âmbito da saúde, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) reforça que a sinergia entre fumaça densa, calor extremo e baixa umidade multiplica os riscos de complicações respiratórias e cardiovasculares. Recomenda-se manter alta a hidratação, proteger os olhos e o nariz e utilizar máscaras adequadas (como a PFF2/N95) em caso de exposição inevitável.
Sinais de alerta médico:
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Sintomas leves: Tosse, irritação ou dor de garganta, ardência e lacrimejamento nos olhos, coriza, dor de cabeça e chiado leve no peito. Procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
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Sintomas graves: Falta de ar intensa e piora acentuada de crises de asma. Buscar prontos-socorros imediatamente ou acionar o Samu (192) em situações de emergência.

