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Aos 357 anos, Manaus busca ampliar sua força econômica para além da indústria

Sexta maior economia municipal do país se prepara para a reforma tributária e busca novos negócios

Em 1896, o Teatro Amazonas simbolizava a riqueza do comércio da borracha. Cento e trinta anos depois, Manaus tem na indústria sua principal referência econômica. Ao completar 357 anos em 24 de outubro, a cidade precisa preservar essa base produtiva e abrir espaço para novos negócios.

Com PIB de R$ 127,65 bilhões em 2023, último dado do IBGE, Manaus é a sexta maior economia municipal do país e reúne 78,9% do PIB amazonense. De janeiro a agosto de 2026, o Polo Industrial de Manaus (PIM) faturou R$ 165,12 bilhões, alta nominal de 10,47%. Em agosto, empregava 135.080 trabalhadores, segundo a Suframa.

A industrialização ganhou impulso com a Zona Franca, criada em 1957 e reformulada em 1967. Para Jorge Nascimento, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) e manauara, o resultado vai além da produção. “O Polo Industrial movimenta a economia, sustenta empregos e gera receitas que ajudam a financiar os serviços públicos”, afirma. Ele destaca também os investimentos em pesquisa, tecnologia e formação de profissionais.

A reforma tributária acrescenta uma nova preocupação. Os incentivos da Zona Franca estão assegurados até 2073, mas as novas regras exigirão adaptações. O prefeito Renato Junior afirma que a prefeitura procura reforçar a arrecadação do ISS, já que o histórico de receitas de 2019 a 2026 terá peso na transição para a distribuição do IBS. A estratégia busca preservar a capacidade de financiar serviços e investimentos municipais.

“Nosso compromisso é preparar Manaus para esse novo cenário, preservando a competitividade da Zona Franca, fortalecendo as finanças municipais e criando condições para que os investimentos se convertam em mais oportunidades para a população”, explica.

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Prefeito Renato Junior diz que Manaus tem uma economia estratégica | Foto: Clovis Miranda/SEMCOM

Entre os resultados recentes, o prefeito destaca 5.347 contratações intermediadas pelo Sine Manaus de janeiro a setembro de 2026, aumento de 53,3% sobre o mesmo período de 2023. O dado mede as colocações feitas com participação do serviço municipal, não o total de empregos criados. Segundo ele, feiras e eventos de economia criativa apoiados pela prefeitura movimentaram R$ 2,3 milhões no primeiro semestre.

Para Bruno Loureiro Pinheiro, da Associação Comercial do Amazonas (ACA), a expansão econômica também depende de outras atividades. “Vejo grandes oportunidades na modernização do comércio, na transformação digital, no turismo, na revitalização do Centro e na ampliação das relações comerciais internacionais”, afirma. A entidade, fundada em 1871, atravessou a economia da borracha e a industrialização. Hoje, Pinheiro aponta custos logísticos, a BR-319 e a infraestrutura de transporte como obstáculos ao comércio.

Manaus

Expansão de Manaus impulsiona o comércio, os serviços e o mercado consumidor | Foto: João Viana/SEMCOM

Renato Junior também vê espaço para diversificar a produção. “Temos potencial para avançar em áreas como tecnologia, inovação, bioeconomia e atividades sustentáveis”, afirma. O desafio é transformar pesquisa e recursos regionais em negócios capazes de gerar empregos, sem enfraquecer as cadeias industriais consolidadas.

Renato Junior também aponta a modernização dos serviços municipais como parte da estratégia de desenvolvimento econômico. Segundo ele, a prefeitura vem ampliando o atendimento digital e simplificando procedimentos administrativos para facilitar a relação com os contribuintes e melhorar o ambiente de negócios na capital.

“Uma administração mais eficiente melhora a relação com o contribuinte, favorece o ambiente de negócios e permite que os recursos públicos sejam geridos com mais planejamento e responsabilidade”, disse o prefeito.