Indústria
Indústria e setor privado defendem modernização da jornada de trabalho no Brasil
Manifesto conjunto alerta para impactos em emprego formal, produtividade e competitividade, e propõe diálogo técnico e setorial antes de mudanças legislativas
Trabalhador em cadeira de obra executa atividades no canteiro de construção, utilizando equipamentos de segurança enquanto realiza tarefas de manutenção ou montagem |
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e mais de 100 entidades do setor privado lançaram nesta terça-feira (3/3) um manifesto em favor da modernização da jornada de trabalho no Brasil. Assinado por organizações da indústria, agronegócio, transportes, comércio e serviços, o documento enfatiza a oposição do setor a projetos legislativos que proponham redução da carga horária sem considerar impactos econômicos e sociais.
O manifesto estabelece quatro princípios centrais para o debate: preservação do emprego formal, produtividade como base para sustentabilidade e desenvolvimento, diferenciação por setor com uso da negociação coletiva, e discussão técnica aprofundada. Para as entidades, a modernização deve buscar qualidade de vida para o trabalhador sem comprometer empregos formais ou a competitividade das empresas.
Segundo o IBGE, em 2025 o Brasil contava com 38,9 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado, enquanto o Ministério do Trabalho registrava 48,45 milhões de vínculos celetistas. Ao mesmo tempo, empresas de diversos setores relatam dificuldades para preencher vagas e reter profissionais qualificados. No setor industrial, estima-se que 14 milhões de pessoas precisem ser qualificadas até 2027; no transporte, há escassez de motoristas; e no varejo, mais de 350 mil vagas permanecem abertas.
A experiência internacional indica que reduzir a jornada só é sustentável se houver ganhos de produtividade. Sem esse equilíbrio, os custos aumentam, contratações formais podem cair e preços podem ser repassados ao consumidor. O manifesto reforça que ajustes devem considerar heterogeneidades setoriais, sazonalidades e portes empresariais, utilizando negociação coletiva e instrumentos legais já existentes.
O documento conclama a sociedade e o poder público a conduzir o debate com responsabilidade social e técnica, evitando decisões precipitadas que comprometam emprego, renda e bem-estar. “Mudanças estruturais que nascem do enfrentamento responsável de seus detalhes protegem melhor, duram mais e entregam resultados reais”, afirmam as entidades, defendendo diálogo maduro e consensual para construir um futuro de trabalho mais justo, produtivo e equitativo no Brasil.
