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Fipa mostra esforço da indústria para transformar bioeconomia em mercado

Feira em Belém reuniu 40 mil visitantes e colocou crédito, internacionalização e inovação aplicada no centro da agenda produtiva amazônica

A indústria do Pará tenta transformar a bioeconomia em mercado antes que o tema volte a ser apenas discurso. Na Fipa 2026, realizada em maio, em Belém, essa aposta apareceu em editais para pequenos negócios, rodadas de crédito, hackathon de alimentos e painéis sobre internacionalização.

A feira reuniu cerca de 40 mil visitantes, mas o dado mais relevante está menos no público e mais na agenda: a indústria amazônica procura formas de vender mais, agregar valor e provar que sustentabilidade também pode gerar receita.

O encontro funcionou como vitrine dessa transição. Empresários, startups, pesquisadores, instituições financeiras e representantes do poder público discutiram temas como rastreabilidade, crédito, inovação, exportação e economia verde.

A leitura que atravessou a programação foi pragmática: a Amazônia tem ativos ambientais e produtos com apelo internacional, mas ainda enfrenta dificuldade para transformar potencial em cadeia produtiva competitiva.

Mercado internacional

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Foto: Divulgação/Fiepa

A internacionalização da indústria amazônica esteve entre os principais eixos da programação. Painéis discutiram caminhos para ampliar a presença de produtos regionais no mercado global, especialmente em cadeias ligadas a alimentos, mineração sustentável, produtos florestais e bioeconomia.

A realização da COP30 em Belém deixou uma vitrine internacional para o Pará, mas a Fipa mostrou que a conversão dessa visibilidade em negócios ainda depende de escala, certificações ambientais, logística, infraestrutura portuária e agregação de valor. Sem isso, produtos amazônicos seguem mais próximos do fornecimento de matéria-prima do que de uma posição relevante em cadeias globais.

Economia verde

Durante a feira, foi lançado o edital Travessias da Economia Verde do Pará, voltado a micro e pequenas indústrias. A iniciativa é da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), em parceria com a Facility de Investimentos Sustentáveis S/A (Fais S/A), spin-off do Instituto Amazônia+21.

O objetivo é apoiar negócios ligados à sustentabilidade, ampliando o acesso a suporte técnico e oportunidades de desenvolvimento empresarial. Na prática, a proposta tenta aproximar pequenos empreendimentos amazônicos de uma agenda cada vez mais exigida pelo mercado: origem comprovada, menor impacto ambiental e capacidade de produzir com regularidade.

Crédito e negócios

Fipa 2026 Foto Fiepa

Foto: Divulgação/Fiepa

A Fipa também funcionou como ambiente de aproximação entre empresas e instituições financeiras. Uma das ações mais movimentadas foi a Rodada de Crédito, organizada pelo Núcleo de Acesso ao Crédito da Fiepa (NAC/Fiepa).

A iniciativa reuniu empresas de diferentes segmentos e representantes de bancos e cooperativas. Segundo balanço da organização, a feira encerrou com projeção de aproximadamente R$ 5 milhões em crédito movimentado durante a programação, além de novos contatos comerciais e oportunidades de negócios.

Empresas dos segmentos de alimentos e bebidas, bioeconomia, construção civil, perfumaria, cosméticos e outros setores participaram da ação.

“É um momento de continuidade de um trabalho realizado diariamente pela Federação das Indústrias, por meio do NAC, para ampliar o acesso ao crédito e fortalecer o desenvolvimento das indústrias paraenses. Mais uma vez, a Rodada de Crédito integra a programação da FIPA, reunindo um público altamente qualificado, com empresas de diferentes portes e segmentos, além de instituições financeiras e bancárias, consolidando a iniciativa como uma ação estratégica e bem-sucedida”, destacou Cassandra Lobato, gestora do NAC e do Centro Internacional de Negócios (CIN).

Da vitrine ao mercado

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Foto: Divulgação/Fiepa

A edição deste ano mostrou uma indústria mais interessada em instrumentos concretos do que em slogans. O vocabulário da economia verde continua presente, mas apareceu associado a crédito, suporte técnico, novos produtos, certificações e acesso a compradores.

Com cerca de 40 mil visitantes, a Fipa reforçou seu papel como vitrine industrial da Amazônia. Mas o principal teste está fora do pavilhão: transformar a visibilidade do evento em capacidade produtiva, escala e contratos.

Ao reunir negócios, inovação e sustentabilidade, a feira colocou a indústria amazônica diante de uma questão central. A região já ocupa espaço no discurso global sobre clima, biodiversidade e transição energética. Agora precisa disputar espaço também no mercado.