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Fim da “taxa das blusinhas” ameaça 109 mil empregos em 2026, alerta CNI

Crescimento das compras internacionais de pequeno valor também inibe a movimentação de R$ 21,8 bilhões na produção

Foto: Iano Andrade/CNI

A retirada do Imposto de Importação sobre o volume e o valor de compras internacionais de pequeno valor, de até US$ 50, pode pôr em risco 109 mil empregos e a geração de cerca de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica em 2026, aponta nota técnica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quarta-feira (26).

Conforme a entidade, o fim da “taxa das blusinhas” pela Medida Provisória 1.357/2026 prejudica a produção nacional ao violar a livre concorrência e a isonomia. A entrada de compras internacionais de pequeno valor por meio Programa Remessa Conforme (PCR) reduz a competitividade do setor doméstico e contraria a proteção constitucional ao mercado interno.

“Com o imposto em vigor, o consumo que hoje vai para compras internacionais por meio do Programa Remessa Conforme seria direcionado a produtos e serviços produzidos no Brasil. O imposto funcionava como uma redução parcial da assimetria tributária entre a produção doméstica e os similares importados”, aponta Marcio Guerra, Superintendente de Economia da CNI.

Na projeção da CNI, o número de encomendas que vão entrar no país por meio do PRC este ano deve chegar a 249,5 milhões, alta de 56,3% em relação a 2025. Em valor, a aquisição soma R$ 23,6 bilhões em importações, crescimento de 65,7% frente ao ano passado.

Caso o Imposto de Importação ainda estivesse valendo, o volume seria menor, de 194,9 milhões, ainda assim, crescimento de 22,1% em relação ao ano anterior. O fim da taxação deve elevar em 28% na quantidade de remessas, movimentando R$ 16,6 bilhões,  um avanço de 16,2% acima a 2025. A mudança, portanto, tende a ampliar em 42,3% o valor das compras internacionais de pequeno valor.

Indústria de transformação será a principal prejudicada

De acordo com a nota técnica da CNI, o efeito não se limita ao comércio. O estudo aponta que, para cada R$ 1 gasto com produtos importados nesse formato, deixam de ser gerados R$ 3,11 ao longo das cadeias produtivas no país.

O impacto atinge, principalmente, a indústria de transformação. Como boa parte dos produtos comprados pelo programa — como eletrônicos, vestuário e bens de consumo em geral — concorre mais diretamente com itens fabricados no Brasil do que com serviços ou produtos primários, dois terços do efeito total recaem sobre o segmento.