Indústria
Expansão das fabricantes de motocicletas impulsiona produção e investimentos no Polo de Manaus
Marcas investem em novas fábricas e ampliam a capacidade produtiva para acompanhar o recorde alcançado em julho
É neste cenário de demanda maior que fabricantes ampliam linhas, aumentam capacidade, contratam funcionários e estruturam novas operações no polo.
Diante disso, durante o Festival Interlagos Motos 2026, marcas como CFMOTO, KTM, Suzuki, Royal Enfield, Triumph e Moto Morini apresentaram diferentes planos para expandir sua produção no Brasil. Ao concentrarem a fabricação quase integralmente no Polo Industrial de Manaus, as fabricantes consolidam ainda mais o país entre os maiores produtores mundiais do setor de duas rodas.
CF Motos
A CF Motos está adaptando a fábrica de Manaus para elevar a capacidade anual de 10 mil para cerca de 18 mil motocicletas até o início de 2027. A marca, que lançou a 450NK durante o Festival Interlagos, também pretende ampliar a rede de concessionárias para acompanhar o crescimento, segundo Urano Carvalho, chefe de motocicletas.
“Uma moto como esta agregará mais de 20% no lineup atual. Como temos a expectativa de ampliar nossa rede de concessionárias, à medida que abrimos mais lojas exponencialmente vamos ampliando as vendas.”
A empresa prevê abrir um novo turno na fábrica ainda em agosto. A unidade está em fase de contratação e treinamento de funcionários.
Atualmente, a produção vai de quinhentas a seiscentas motos por mês, com meta de dobrar o volume até o fim de 2026. A fabricante, no entanto, não informou os valores dos investimentos destinados à expansão.
KTM assume produção própria em Manaus
Em fase final de conclusão de sua fábrica própria em Manaus, a KTM encerra gradualmente a produção de motocicletas off-road em parceria com a Dafra. A nova unidade já iniciou a montagem dos primeiros modelos de teste e deve começar a produção em setembro, garantindo a chegada das primeiras motos às concessionárias em outubro.
A operação ficará no mesmo Distrito Industrial onde está instalada a fábrica da Bajaj, de quem é parceira, com linha de montagem independente e supervisão por técnicos da KTM da Áustria.
A integração das operações também chegará em Ribeirão Preto, SP. Segundo Waldyr Ferreira, diretor geral, KTM e Bajaj transferirão suas operações para um novo prédio na cidade.
Suzuki
Já a Suzuki, que antecipou o lançamento especial da GSX-8T e Hayabusa para o Festival Interlagos, informou o investimento de aproximadamente R$ 35 milhões na fábrica de Manaus nos últimos três anos, destinados às linhas de produção. Para os próximos dois anos a previsão é aplicar mais R$ 20 milhões na construção de novos galpões.
A expansãoda estrutura industrial também deve aumentar em 150% o quadro de funcionários da unidade Manaus, que passará de 400 para aproximadamente 1 mil trabalhadores.
Royal Enfield em preparação de fábrica própria
A fabricantes de motos indiana, Royal Enfield, também está em preparo para a entrada no Polo Industrial de Manaus com uma fábrica própria, prevista para iniciar a operação a partir de 2027. A unidade ainda está em fase de planejamento e construção, e a empresa não revelou o valor do investimento.


Motocicletas na linha de montagem Royal Enfield em Manaus | Foto: Royal Enfield/Divulgação
O movimento acompanha o avanço da marca no mercado brasileiro, sendo o maior mercado fora da Índia. De janeiro a junho a Royal Enfield emplacou 17 mil 138 motocicletas, alta de 23% sobre as 13 mil 898 unidades registradas no mesmo período de 2025. A fabricante também ultrapassou a marca de 100 mil motos em circulação.
Para 2027 a expectativa é chegar a 50 mil unidades vendidas, segundo Ross Clifford, chefe da Royal Enfield para as Américas.
No Festival Interlagos 2026, a marca apresentou modelos ao mercado brasileiro, como a Goan Classic 350, Himalayan 450 Mana Black e a Flying Flea, primeira motocicleta elétrica da marca.
Triumph dobra capacidade em Manaus
A Triumph também está ampliando sua operação industrial, com investimento de 1,5 milhão de libras na operação brasileira, cerca de R$ 10,6 milhões. A expansão elevará a capacidade da fábrica de Manaus de 15 mil para 30 mil motocicletas por ano.
O projeto inclui uma nova linha de montagem para chassis e motores, com movimentação automática, além de uma área adicional de 1 mil m² para armazenagem e a implementação do sistema ERP Protheus.
Segundo o gerente-geral da empresa no Brasil, Renato Fabrini, a expansão está relacionada ao aumento do volume e à chegada de modelos de 400 e 500 cm3 de cilindrada. A fábrica terá uma linha dedicada às motocicletas de menor cilindrada e outra para modelos maiores, que exigem mais tempo e complexidade na montagem.
A Triumph trabalha com o sistema CKD, no qual as motocicletas chegam da Tailândia desmontadas e são montadas no Polo de Manaus, com a incorporação de componentes nacionais e com 100% da montagem nas instalações
A empresa já opera em dois turnos e não prevê, no momento um terceiro. A expecativa da marca é aumentar a eficiência da produção sem ampliar a jornada: “Continuaremos trabalhando com os dois turnos numa fábrica mais eficiente e montando moto de maneira mais rápida”.
A ampliação atual aproveita equipamentos que estavam na fábrica da Triumph na Tailândia, que passou por reformulação. Segundo o executivo isto reduziu a necessidade de investimentos para modernizar a unidade brasileira.
Moto Morini amplia espaço com parceiro
A Moto Morini também reforça operação para crescer no Brasil com investimento de R$ 250 milhoes. A fabricante italiana ampliou o espaço utilizado em parceria com a DBS Indústria, empresa responsável pela montagem de suas motocicletas em Manaus, com nova planta tem 2 mil m² e possibilidade de expansão para 4 mil m².
Neste ano a fabricante pretende chegar a 1,6 mil motocicletas produzidas no Brasil. Para 2027 a meta é superar 5 mil unidades com a ampliação do portfólio.
A Moto Morini ainda avalia a possibilidade de construir uma fábrica própria. Segundo Eron Maio, diretor comercial de pós-venda e desenvolvimento de rede, a companhia analisa diferentes alternativas antes de definir o formato da operação.
