Indústria
Estrela, que já produziu em Manaus, pede recuperação judicial
Fabricante de brinquedos operou no Distrito Industrial nos anos 1990, onde montava autoramas e brinquedos da linha Playmobil
A Estrela, uma das marcas mais tradicionais da indústria brasileira de brinquedos, informou nesta quarta-feira (20) que ajuizou pedido de recuperação judicial na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais. A empresa afirma que a medida busca reorganizar o endividamento do grupo e preservar a continuidade das atividades.
A companhia já teve produção na Zona Franca de Manaus, iniciada em 1993. Na capital amazonense, eram montados autoramas e brinquedos da linha Playmobil, entre outros produtos, conforme reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 1995.
A empresa é fabricante de clássicos como Banco Imobiliário, Falcon, Genius, Susi, Comandos em Ação e Super Massa.

No comunicado ao mercado, a Estrela atribui o pedido de recuperação à necessidade de reestruturação do passivo, em um cenário de “pressões econômicas e setoriais relevantes”.
Entre os fatores citados estão o aumento do custo de capital, a restrição de crédito e mudanças no comportamento do consumidor, com maior competição de alternativas digitais.
“A recuperação judicial tem como objetivo permitir a superação da atual situação econômico-financeira, mediante a reorganização estruturada do endividamento, preservando a continuidade das atividades empresariais, os empregos e a geração de valor para todos os ‘stakeholders’”, afirmou a Estrela.
A companhia informou ainda que apresentará seu plano de recuperação judicial, que será submetido à aprovação dos credores, conforme prevê a legislação.
“Nos termos da legislação aplicável, a Companhia apresentará oportunamente seu plano de recuperação judicial, o qual será submetido à aprovação dos credores. A companhia manterá seus acionistas e o mercado em geral devidamente informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes relacionados ao tema”, completou.

Foto: Reprodução/Estrela
Histórico de reestruturação
O pedido ocorre meses depois de a empresa fechar acordo para renegociar cerca de R$ 747 milhões em dívidas com a Receita Federal, segundo informações publicadas pela Bloomberg Línea e por veículos de mercado. O acordo tributário havia sido anunciado em 2025.
A Estrela afirma que seguirá regularmente com suas operações industriais, comerciais e administrativas durante o processo, adotando medidas para manter os negócios ao longo da reestruturação.
Na década de 1990, quando já operava em Manaus, a companhia também passava por um processo de reestruturação industrial. À época, a empresa negava que pretendesse transferir totalmente a produção para a Zona Franca, mas reconhecia o uso da unidade amazonense na montagem de parte dos brinquedos.
O novo pedido de recuperação judicial recoloca a fabricante em processo formal de reorganização financeira, em um mercado pressionado por mudanças de consumo, competição com produtos importados e avanço de alternativas digitais de entretenimento.
A companhia foi fundada em 1937 como uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira. Nos anos 1940, vieram lançamentos como Pega Varetas e Banco Imobiliário.
Nos anos 1960, produziu a boneca Susi, com mais de 20 milhões de unidades distribuídas até 1985. Em 1980, lançou o Genius, conhecido na época como “o computador que fala” e considerado o primeiro brinquedo eletrônico do país.
