Energia
Eneva encontra sinais de gás natural no Amazonas e notifica ANP
Achado em perfuração vai abastecer usinas elétricas e reforçar a luz na região
Foto: Divulgação/Eneva
A Eneva comunicou oficialmente à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a identificação de indícios de hidrocarbonetos no bloco terrestre AM-T-85, localizado em solo amazonense.
Segundo informações veiculadas pelo jornal Valor Econômico, a notificação decorre do avanço nas etapas de perfuração do poço 1-ENV-60D-AM, iniciada em julho. O empreendimento é emblemático para a matriz de energia do estado por ter sido a única campanha de perfuração terrestre deflagrada no Amazonas ao longo do ano de 2026.
O bloco AM-T-85 integra a área de desenvolvimento de Azulão Oeste, região em que descobertas anteriores de gás natural e petróleo já tiveram sua viabilidade econômica comprovada e declarada à ANP. O ativo é peça-chave para a estratégia da companhia no Amazonas, baseada no modelo integrado (reservoir-to-wire), que utiliza o gás extraído dos campos terrestres para alimentar diretamente usinas de geração termelétrica na região.

A confirmação da presença do insumo consolida a expansão da infraestrutura energética local. A companhia deu início em julho à operação comercial da usina termelétrica Azulão I e planeja colocar em funcionamento o complexo Azulão II até meados de 2027, ampliando significativamente a oferta de energia associada ao gás produzido na bacia amazônica.
O histórico regulatório da área reflete as transformações do setor petrolífero no interior do estado. O bloco AM-T-85 esteve originalmente sob concessão da Petrobras, que o arrematou em 2008 em consórcio com a Petrogal, detendo 60% de participação. Após a devolução do ativo à ANP em 2015, a área retornou ao mercado no segundo ciclo da Oferta Permanente de Concessão, em 2020, quando foi arrematada pela Eneva.
A notificação da Eneva sobre a exploração em terra ocorre em um momento de destaque para a Região Norte no cenário nacional de petróleo e gás. O comunicado coincide com os recentes anúncios da Petrobras sobre a presença de petróleo no poço Morpho (bloco FZA-M-59), na Bacia da Foz do Amazonas.
Embora tratem de projetos com dinâmicas operacionais distintas — um voltado à geração térmica onshore no Amazonas e o outro focado na exploração marítima na Margem Equatorial —, ambos os movimentos evidenciam o protagonismo amazônico na atração de investimentos e no fortalecimento da segurança energética.
