Logística
Com draga em Itacoatiara, DNIT injeta R$ 500 mi para garantir abastecimento do Amazonas
Medida emergencial apresentada no CIEAM busca evitar prejuízos no Polo Industrial de Manaus
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Com a aceleração do ritmo de vazante na Bacia Amazônica, as operações de dragagem emergencial tornaram-se a principal linha de defesa para evitar o colapso logístico e o desabastecimento no Polo Industrial de Manaus (PIM). Para mitigar os impactos nos trechos mais críticos dos rios Amazonas, Solimões e Madeira, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) mobilizou uma carteira superior a R$ 500 milhões em investimentos dividida em quatro contratos ativos no estado do Amazonas.
Entre as principais frentes operacionais está a instalação de uma draga do tipo hopper no município de Itacoatiara. A embarcação tem a meta de remover 1,8 milhão de metros cúbicos de sedimentos no trecho, permitindo a manutenção do calado mínimo para a navegação de longo curso, responsável pelo transporte dos insumos e produtos acabados da indústria regional.
A escolha e a adequação do equipamento resultaram da experiência adquirida em secas anteriores. Segundo a diretoria do DNIT, o avanço da vazante exige intervenções contínuas, uma vez que a queda do nível dos rios reflete diretamente no encarecimento do frete marítimo, na redução da competitividade fabril e no risco de paralisação das linhas de produção.

“A draga hopper já está instalada em Itacoatiara para operar no trecho com previsão de 1,8 milhão de metros cúbicos dragados, um aprendizado que nos permitiu adequar o equipamento à necessidade da navegação de longo curso. Cada centímetro que o rio desce afeta o frete, a geração de empregos e o desenvolvimento do país, por isso atuamos fortemente para manter os rios navegáveis”, afirmou o diretor do DNIT, Edme Tavares.
Reunião do CIEAM alinha ações com Marinha e Governo Federal
O panorama das intervenções e o cronograma dos trabalhos foram apresentados durante a 12ª edição do Fórum de Logística promovido pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). O encontro reuniu a liderança executiva da entidade ao lado dos principais órgãos decisores da infraestrutura aquaviária do país: o DNIT, a Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (Marinha do Brasil) e a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos.

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Durante o fórum, o diretor de Infraestrutura Aquaviária do DNIT, Edme Tavares de Albuquerque Filho, ressaltou a gravidade do cenário atual:
“Cada centímetro que o rio desce afeta o frete, a geração de empregos e o desenvolvimento do país, por isso atuamos fortemente para manter os rios navegáveis”, afirmou Edme Tavares.
A Marinha do Brasil reforçou que os níveis observados em agosto nas réguas de Manaus e Itacoatiara exigem cautela e planejamento preventivo por parte dos armadores. Já o Ministério de Portos e Aeroportos defendeu que, além das dragagens emergenciais, o país precisa avançar no modelo de concessões hidroviárias privadas para assegurar manutenção e monitoramento 24 horas ao longo de todo o ano.
Pelo setor produtivo, o coordenador da Comissão de Logística do CIEAM, Augusto César Barreto Rocha, e o presidente-executivo da entidade, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, lembraram que o PIM acumula cerca de R$ 3 bilhões em prejuízos decorrentes das secas recentes. A entidade cobrou investimentos em pesquisas hidrodinâmicas junto a instituições locais (UFAM, UEA, INPA e SGB) para que o planejamento logístico da região deixe de operar em caráter reativo e adote soluções estruturantes baseadas em dados científicos.
