Meio Ambiente
Comitê prevê Rio Negro a 29,50 metros este ano, abaixo do recorde histórico
Na 13ª Reunião Ordinária, especialistas debatem o cenário das chuvas e enchentes para os próximos meses
13ª Reunião Ordinária |
O Rio Negro deve atingir 29,50 metros em julho de 2026, segundo projeção do Comitê Técnico-Científico do Governo do Amazonas (CTC/AM). O nível indica uma cheia acentuada, mas ainda dentro da normalidade histórica em Manaus — abaixo do recorde de 30,2 metros registrado em 2021. Nesta terça-feira, o Comitê realizou a 13ª Reunião Ordinária, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), reunindo especialistas para avaliar o cenário das chuvas, da cheia dos rios e das projeções para os próximos meses.
Durante a reunião, a diretora-presidente da Fapeam e coordenadora do CTC/AM, Márcia Perales Mendes Silva, destacou a importância dos conhecimentos técnicos e científicos que fortalecem o Comitê e suas Recomendações ao Comitê Permanente de Mudanças Climáticas.
“O CTC/AM é uma rede colaborativa que vem atuando de forma bastante precisa. Seus comitentes são profissionais e pesquisadores que acumulam conhecimento, experiência e compromisso com o enfrentamento das mudanças climáticas no Amazonas, o que é muito nos orgulha”, ressaltou Márcia Perales Mendes Silva.
Transição climática com planejamento antecipado
Durante a reunião, o professor e doutor em meteorologia Francis Wagner Silva Correia, coordenador do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (Labclim) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apresentou análises atualizadas sobre o comportamento do clima.

Professor e doutor em meteorologia Francis Wagner Silva Correia, coordenador do Labclim-UEA
Ele explicou que o Pacífico Tropical passa por uma transição do fenômeno La Niña para o El Niño, a partir de julho de 2026. E o CTC/AM permite que gestores públicos se antecipem a eventuais mudanças no regime de chuvas da bacia amazônica.
“É de fundamental importância essas informações do prognóstico hidrológico e climático feito pelo Labclim para que o comitê possa orientar os gestores e tomadores de decisão em antecipar as ações para minimizar e mitigar os impactos, associados com a enchente deste ano no estado do Amazonas”, explicou o Dr. Francis.
Além disso, o pesquisador apresentou dados do Labclim que indicam que, em dezembro de 2025, o Amazonas registrou chuvas 10% acima da média histórica. Em janeiro de 2026, o índice ficou 10,5% superior ao normal. E em fevereiro houve redução de 7,4%. Ainda sob influência da La Niña, a tendência de volumes elevados de chuvas deve se manter em março e abril.
Cheia dentro da normalidade histórica
Em relação ao comportamento dos rios, a projeção indica uma cheia acentuada, porém dentro dos padrões históricos em Manaus. A estimativa é que o Rio Negro atinja 29,50 metros em julho. Como comparação, o nível máximo histórico de maior cheia, em 2021, foi de 30,2 metros.

Monitoramento contínuo e ações preventivas
O tenente do Corpo de Bombeiros Charlis Barroso da Rocha, da Defesa Civil do Estado, apresentou dados atualizados de monitoramento meteorológico e hidrológico. Ele ressaltou que o Amazonas conta com um sistema estruturado de alertas e acompanhamento permanente.
Em Boca do Acre, 26.460 pessoas foram afetadas. A cota prevista para 2026 é de 19,56 metros, abaixo da máxima histórica de 21,04 metros, registrada em 1996.
Em Eirunepé, 8.045 pessoas foram impactadas. O nível do rio está em 16,89 metros, próximo da máxima histórica de 17,32 metros, registrada em 2021. O acompanhamento contínuo permite organizar ações de prevenção e resposta de forma coordenada.
CTC/AM
Criado pelo Decreto nº 49.766, de 5 de julho de 2024, o CTC/AM é um órgão colegiado que reúne especialistas para assessorar o Comitê de Enfrentamento à Estiagem e Eventos Climáticos e Ambientais no estado. Desde sua criação, o grupo já realizou 13 reuniões ordinárias e elaborou cinco pareceres técnicos com 97 recomendações, todas encaminhadas e acatadas pelo comitê gestor.
