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Círio de Nazaré impulsiona contratações formais na indústria em 23,9% na Grande Belém 

Levantamento da Fiepa aponta alta na média mensal de admissões para 1.571 entre agosto e outubro, mobilizando desde a fabricação de alimentos à economia criativa

Foto: Manoel Campos

Da indústria de transformação à economia criativa, diversos segmentos aquecem a economia para atender à demanda do Círio de Nazaré, impulsionando em 23,9% as contratações com carteira assinada na Região Metropolitana de Belém duranteos meses ligados ao período festivo. Levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) indica que, entre agosto e outubro, a indústria de transformação registra média mensal de 1.571 contratações, superando a média de 1.268 nos demais meses do ano.

Os números consideram o período de 2022 a 2025 e evidencia um comportamento repetido nos quatro anos analisados. O movimento é impulsionado principalmente pela indústria de alimentos, com destaque para a fabricação de conservas de frutas e sucos, e aparece no segmento de bebidas em Belém.

O movimento iniciado meses antes alcança a agroindústria, alimentos, bebidas, setores químico, gráficas, confecções, estamparia e economia criativa. Em comum, essas cadeias têm a capacidade de transformar matéria-prima, trabalho e criatividade em produtos presentes nas manifestações religiosas do Círio, desde almoços tradicionais até camisas, velas, perfumes e a própria corda utilizada nas procissões.

Para o presidente da Fiepa, Alex Dias Carvalho, a participação de diferentes segmentos industriais no Círio destaca a capacidade de gerar desenvolvimento a partir das próprias características e manifestações do território. Ao transformar matérias-primas, conhecimento, criatividade e trabalho em produtos que fazem parte da celebração, o setor também contribui para preservar e valorizar referências que integram a identidade paraense.

“O Círio mostra a força e a diversidade da indústria paraense e a sua capacidade de estar presente em diferentes dimensões da vida do Estado. Quando a indústria participa dessa manifestação, ela não está apenas movimentando a economia, gerando emprego e renda. Ela também ajuda a preservar e valorizar a nossa cultura, nossas tradições e aquilo que nos identifica como paraenses. É desenvolvimento que reconhece o território, suas potencialidades e sua história”, afirma.

Produção local da Corda do Círio 

Um dos exemplos dessa participação da indústria está em um dos principais símbolos das procissões. A Companhia Têxtil de Castanhal (CTC), que completa 60 anos neste ano, participa pelo quarto ano consecutivo da produção da corda do Círio que acompanha os fiéis durante a procissão.

Círio

Foto: Reprodução

Desde 2023, a produção é realizada no Pará, utilizando fibras naturais da Amazônia e mão de obra paraense. Para Flávio Smith, presidente da CTC e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado do Pará (Sinditec), a participação com um dos principais símbolos do Círio representa uma forma de retribuir ao Estado a trajetória construída pela empresa ao longo de seis décadas.

“Participar do Círio, levando às ruas de Belém um dos maiores símbolos dessa manifestação de fé, tem um significado muito especial para nós. É uma forma de agradecer ao Pará e retribuir, com o nosso trabalho, um pouco de tudo o que construímos juntos ao longo dessas seis décadas”, afirma Smith.

Perfumaria e Confecções 

O aquecimento também aparece na indústria química e de perfumaria. Velas, sachês, perfumes e outros produtos são desenvolvidos ou adaptados para acompanhar o período, incorporando referências à manifestação religiosa e aos símbolos de Nossa Senhora de Nazaré.

Círio

Foto: Divulgação/Fiepa

Fátima Chamma, diretora da Fiepa e vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos, Petroquímicos, Farmacêuticos, Perfumaria e Artigos de Toucador do Estado do Pará (Sinquifarma), observa que o movimento provocado pela festividade chega a superar o período natalino em alguns segmentos.

Um exemplo citado por Fátima é a linha Flor de Maria, criada especificamente para o Círio. O produto começou como uma água de toilette e, ao longo de seis anos, transformou-se em uma linha completa, que continua em expansão.

“O movimento começa ainda no fim de setembro, ganha força ao longo de outubro e permanece elevado na semana seguinte ao Círio. A cidade fica envolvida em um clima festivo, a energia de alegria, realmente faz com que quem trabalha na indústria trabalhe com amor, afinco”, relata Fátima.

Cadeia produtiva da festividade 

A movimentação industrial no Círio alcança ainda produtos menos visíveis durante as procissões. Agroindústrias e fabricantes de alimentos e bebidas abastecem as mesas para o almoço do Círio, enquanto gráficas produzem materiais de comunicação, identificação e registro das celebrações. A economia criativa transforma símbolos e referências da festividade em produtos e experiências.

Assim, enquanto milhares de pessoas ocupam as ruas para manifestar sua fé, uma cadeia produtiva inteira participa, de diferentes maneiras, da construção dessa experiência. Os dados da Fiepa apontam que essa relação também se traduz no mercado formal de trabalho, com crescimento expressivo das admissões justamente nos meses em que Belém se prepara para viver o Círio.