Meio Ambiente
Belém articula a criação de protocolo e plano de enfrentamento ao Super El Niño
Planejamento integrado prevê plantio de 1 milhão de árvores, pontos de hidratação na cidade e níveis de alerta para proteger a população vulnerável
Reunião de planejamento para o El Niño |
A Prefeitura de Belém avançou na construção do Plano Municipal de Enfrentamento ao Super El Niño 2026–2027 e do Protocolo de Alerta e Enfrentamento ao Calor Extremo. Em reunião técnica realizada nesta terça-feira (7), 35 órgãos municipais, estaduais e federais alinharam as medidas integradas que vão preparar a capital diante dos impactos climáticos previstos. O planejamento coordenará ações de prevenção, adaptação e resposta para reduzir riscos à população, proteger a infraestrutura urbana e fortalecer a resiliência climática do município.
O encontro foi presidido pelo secretário municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel), Luciano de Oliveira, que destacou a importância da integração entre os diversos órgãos envolvidos na elaboração do plano.
“Estamos reunindo todas as instituições responsáveis para construir um planejamento integrado, com responsabilidades bem definidas e ações coordenadas. O enfrentamento aos impactos do Super El Niño exige prevenção, organização e trabalho conjunto para proteger a população e garantir uma resposta eficiente em todas as áreas da administração pública”, explicou o secretário.


Secretário da Segbel, Luciano de Oliveira | Foto: Talison Lima/Ascom Segbel
A construção do plano reúne secretarias municipais, órgãos estaduais e instituições federais, em uma estratégia única para enfrentar os efeitos esperados do Super El Niño. O documento organizará ações já desenvolvidas pela Prefeitura de Belém e estabelecerá diretrizes comuns para monitoramento, prevenção e atuação durante eventos climáticos extremos, permitindo maior integração entre as áreas de meio ambiente, defesa civil, saúde, infraestrutura, comunicação, assistência social, educação, mobilidade e demais órgãos parceiros.
A elaboração do planejamento considera projeções dos principais centros nacionais e internacionais de monitoramento climático, que apontam mais de 90% de probabilidade de permanência do El Niño até o início de 2027, com intensidade prevista entre forte e muito forte. Para a Região Norte, os estudos indicam redução das chuvas, aumento das temperaturas, diminuição da umidade do solo e maior risco de queimadas e incêndios florestais. Diante desse cenário, o plano busca fortalecer a capacidade de preparação do município antes da intensificação dos efeitos do fenômeno.
O Plano Municipal será estruturado em três eixos estratégicos: Mitigação e Adaptação; Resiliência Urbana e Infraestrutura; e Comunicação e Governança. Entre as medidas previstas estão a ampliação da arborização urbana, implantação de microflorestas, corredores verdes, jardins de chuva, biovaletas, bacias de infiltração, vagas verdes e outras soluções baseadas na natureza, além do fortalecimento da agricultura urbana, monitoramento permanente das condições meteorológicas e ações de prevenção e combate a incêndios em áreas periurbanas.
Metas e protocolos
Entre as metas previstas está o plantio de um milhão de árvores ao longo da atual gestão, como parte da estratégia de ampliação da cobertura vegetal da cidade. O planejamento também contempla iniciativas voltadas à redução das ilhas de calor, melhoria da infiltração da água no solo, preservação da biodiversidade amazônica e fortalecimento da infraestrutura verde, contribuindo para uma cidade mais preparada diante dos impactos das mudanças climáticas.
Outro eixo importante será a criação do Protocolo de Alerta e Enfrentamento ao Calor Extremo, que estabelecerá critérios técnicos para monitoramento das condições climáticas, emissão de alertas e adoção de medidas graduais de resposta conforme a evolução do cenário. O protocolo contará com quatro níveis de alerta e organizará ações como reforço da comunicação preventiva, implantação de pontos de hidratação, disponibilização de áreas de sombra e resfriamento, busca ativa de pessoas em situação de vulnerabilidade, fortalecimento da rede municipal de saúde e avaliação da adaptação ou suspensão de grandes eventos ao ar livre quando houver risco elevado à saúde coletiva.
As ações priorizam crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol, pessoas em situação de rua, moradores de áreas com baixa cobertura arbórea, comunidades ribeirinhas e também os animais, reconhecendo que os impactos do calor extremo atingem diferentes segmentos da população e exigem respostas coordenadas do poder público.
A secretária municipal de Meio Ambiente, Juliana Nobre, destacou que o planejamento reúne políticas estruturantes voltadas à adaptação climática e à proteção da população.
“Estamos consolidando um instrumento que integra políticas ambientais, defesa civil, saúde, infraestrutura e assistência social para reduzir vulnerabilidades e preparar Belém para os desafios impostos pelo Super El Niño. É um trabalho construído de forma coletiva, com base em critérios técnicos e na cooperação entre todas as instituições envolvidas”, frisou Juliana.

Secretária de Meio Ambiente, Juliana Nobre | Foto: Talison Lima/Ascom Segbel
A coordenação técnica do Plano Municipal ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), enquanto a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel), por meio da Defesa Civil Municipal, coordenará as ações operacionais de prevenção, monitoramento e resposta. O Plano Municipal consolidará ações permanentes de adaptação às mudanças climáticas, ampliando a capacidade de prevenção, resposta e proteção da população diante dos eventos climáticos extremos, por meio da atuação coordenada entre os diferentes órgãos públicos.
