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Amazonas encerra 2025 com queda no desemprego e melhora no rendimento médio do trabalhador

Pesquisa do IBGE revela mercado de trabalho em recuperação no Amazonas, com desemprego em queda e informalidade elevada

Foto: Divulgação

O mercado de trabalho no Amazonas encerrou o quarto trimestre de 2025 com uma taxa de desocupação de 7,3%, apresentando uma queda em relação aos 8,3% registrados no ano anterior. O nível de ocupação atingiu 56,8%, enquanto a taxa de participação na força de trabalho ficou em 61,3%, refletindo um cenário de estabilidade estatística na comparação anual.

Entre as principais atividades econômicas, o setor de Administração pública, educação e saúde manteve-se como o maior empregador, com 404 mil pessoas, enquanto o Comércio destacou-se pelo maior crescimento anual, somando 33 mil novos trabalhadores. Por outro lado, o setor de Agricultura enfrentou a maior retração no período, com a perda de 45 mil postos de trabalho em doze meses.

A informalidade do estado registrou um índice crítico, em que cerca de 938 mil pessoas estavam trabalhando sem proteção social ou registro formal. Este número é composto majoritariamente por trabalhadores por conta própria sem CNPJ e empregados do setor privado sem carteira. Diante deste cenário, o Amazonas detém a 6ª maior taxa de informalidade do Brasil

Os dados da PNAD Contínua Trimestral, divulgados nesta sexta-feira (20/02) pelo IBGE, mostram que o Amazonas encerrou 2025 com a segunda menor taxa de desocupação da série histórica iniciada em 2012.

Taxas

A Taxa de Desocupação no Amazonas encerrou o quarto trimestre de 2025 em 7,3%. Este resultado aponta para uma trajetória de melhoria no mercado de trabalho regional, apresentando uma redução de 0,3 ponto percentual em comparação ao trimestre anterior (7,6%). Quando confrontada com o mesmo período de 2024, a queda é ainda mais expressiva, atingindo 1,0 ponto percentual de diferença em relação aos 8,3% registrados anteriormente.

O Nível da Ocupação, que reflete a parcela da população em idade de trabalhar que está efetivamente empregada, fixou-se em 56,8% ao final de 2025. Embora tenha ocorrido um recuo percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025 (58,1%), o indicador demonstra resiliência no longo prazo.

A Taxa de Participação na Força de Trabalho registrou o índice de 61,3% no fechamento do ano. Esse percentual indica uma retração comparado ao trimestre imediatamente anterior (julho-agosto-setembro), quando a participação era de 62,9%. Apesar dessa oscilação negativa recente, o indicador permanece em patamar superior ao observado no mesmo período do ano anterior, apresentando uma variação positiva de 0,7 ponto percentual em relação aos 60,6% reportados no quarto trimestre de 2024. A Taxa de Participação na Força de Trabalho, corresponde ao percentual de pessoas na força de trabalho em relação às pessoas em idade de trabalhar.

Posição na ocupação, setor e categoria

O número de empregados totalizou 1.143 mil no período. Dentro desta categoria, o setor privado (exclusive trabalhadores domésticos) abrangeu 723 mil pessoas, sendo que 455 mil possuíam carteira de trabalho assinada e 268 mil atuavam sem carteira. Os trabalhadores domésticos somaram 80 mil pessoas, com uma predominância marcante da informalidade, já que 69 mil não tinham carteira assinada e apenas 12 mil eram formalizados.

Já o setor público registrou 340 mil pessoas, composto por 176 mil militares ou funcionários públicos estatutários, 150 mil empregados sem carteira e uma pequena parcela de 13 mil com carteira assinada.

A categoria de empregador reuniu 47 mil pessoas no estado, com a maior parte possuindo registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), somando 31 mil indivíduos. Os demais 16 mil empregadores atuavam sem o registro formal do CNPJ.

O grupo dos trabalhadores por conta própria totalizou 522 mil pessoas, representando uma das parcelas mais expressivas da força de trabalho ocupada. No entanto, este segmento é caracterizado por uma baixa formalização, uma vez que 478 mil desses trabalhadores não possuem CNPJ, enquanto apenas 44 mil estão devidamente registrados.

Por fim, o trabalhador familiar auxiliar contabilizou 107 mil pessoas no quarto trimestre de 2025. Este indicador apresentou a queda mais acentuada entre todas as posições na ocupação, com um recuo de 8,0% em relação ao trimestre anterior (menos 9 mil pessoas) e uma redução severa de 18,0% na comparação anual contra o final de 2024 (menos 23 mil pessoas). Essa tendência de redução pode indicar uma transição desses trabalhadores para outras formas de ocupação remunerada ou uma retração em atividades econômicas familiares.

Atividades

No quarto trimestre de 2025, o grupamento de atividade com a maior quantidade de pessoas ocupadas no Amazonas foi o de Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, totalizando 404 mil trabalhadores.

O maior aumento absoluto de trabalhadores no período foi observado no setor de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, que saltou de 314 mil no terceiro trimestre para 337 mil no quarto trimestre, um acréscimo de 23 mil pessoas. Em contrapartida, a maior diminuição de trabalhadores ocorreu na Indústria geral, que apresentou uma queda de 22 mil ocupados, passando de 239 mil para 217 mil pessoas entre os dois últimos trimestres do ano.

O setor de Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas apresentou o maior crescimento absoluto e percentual no confronto anual, com um aumento de 33 mil pessoas. Esse incremento representa uma alta de 11,0% em relação ao quarto trimestre de 2024, quando o setor ocupava 304 mil pessoas.

Outro destaque positivo foi o grupamento de Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que registrou a maior expansão em termos absolutos, incorporando 36 mil novos trabalhadores em um ano. Além destes, a Construção apresentou um crescimento de 12,3%, o que equivale a um acréscimo de 13 mil pessoas em sua força de trabalho.

Em contrapartida, a maior perda absoluta ocorreu no grupamento de Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, que reduziu seu contingente em 45 mil pessoas, uma queda de 16,1%.

Outra retração relevante foi observada no setor de Transporte, armazenagem e correio, que registrou a maior queda percentual entre os serviços, com recuo de 11,3%, o que representa uma perda de 13 mil postos de trabalho no período. Já a Indústria geral manteve-se tecnicamente estável na comparação anual, apresentando uma variação de 0% e mantendo o patamar de 217 mil ocupados.

Informalidade

No quarto trimestre de 2025, a taxa de informalidade no Brasil foi de 38,8%, refletindo as disparidades estruturais entre as grandes regiões do país.

A região Norte registrou o maior índice de informalidade, atingindo 53,1%, seguida de perto pelo Nordeste, com 51,8%, ambos situando-se significativamente acima da média nacional.

Ao analisar a informalidade por unidade da federação, o Pará ficou em terceiro lugar com 54,8% (2,1 milhões de pessoas), ficando atrás do Maranhão, que liderou com a maior taxa do país, atingindo 57,3% (correspondendo a cerca de 1,4 milhão de pessoas) e seguido pelo Piauí, com 55,4% (712 mil pessoas).

Informalidade no Amazonas

No encerramento de 2025, o Amazonas registrou uma taxa de informalidade de 51,5%, o que soma um total de 1.820 mil pessoas ocupadas e aproximadamente 938 mil que exerciam atividades informais. Este índice coloca o estado em uma posição crítica, ocupando a 6ª maior taxa de informalidade entre todas as Unidades da Federação do Brasil.

A precariedade das ocupações no estado é evidenciada pela distribuição dos trabalhadores em categorias com baixa proteção social:

  • Trabalhadores por conta própria sem CNPJ: Representam o maior volume da informalidade local, totalizando 478 mil pessoas.
  • Empregados do setor privado sem carteira: Esta categoria somou 268 mil pessoas, apresentando um crescimento expressivo de 29,4% em relação ao mesmo período de 2024.
  • Trabalhadores Familiares Auxiliares: Contabilizaram 107 mil pessoas, embora este grupo tenha registrado uma queda de 18% na comparação anual.
  • Trabalhadores Domésticos sem carteira: Somam 69 mil pessoas, evidenciando que a informalidade atinge massivamente este setor (apenas 12 mil possuem carteira assinada no estado).

A situação do Amazonas reflete a realidade da região Norte, que detém a maior taxa de informalidade do país (53,1%). Enquanto a média do Brasil ficou em 38,8%, o Amazonas se distancia negativamente deste patamar.

Rendimento médio mensal 

O Rendimento médio mensal real habitual de todos os trabalhos conceitua-se como o valor bruto médio recebido pelas pessoas ocupadas em seus postos de trabalho, ajustado pela inflação para o mês central do trimestre divulgado, servindo como termômetro do poder de compra da remuneração no mercado local.

No 4° Trimestre de 2025, esse rendimento no Amazonas atingiu R$ 2.695, o que representa uma alta de 2,9% (um acréscimo nominal de R$ 75) em relação ao trimestre de julho-setembro de 2025, quando o valor era de R$ 2.620.

Em uma perspectiva de longo prazo, o crescimento é ainda mais acentuado, com uma valorização real de 7,1% em comparação ao mesmo período de 2024, quando a média era de R$ 2.515, evidenciando um ganho real acumulado de R$ 180 no intervalo de um ano.

Massa de rendimentos

A Massa de rendimento mensal real habitual de todos os trabalhos conceitua-se como a soma total dos rendimentos brutos recebidos por todas as pessoas ocupadas no mercado de trabalho, ajustada pela inflação para os preços do mês central do trimestre mais recente, servindo como um indicador do volume total de recursos financeiros injetados na economia através do trabalho.

A massa de rendimento no Amazonas atingiu o montante de R$ 4.6 bilhões, o que representa uma estabilidade com viés de crescimento de R$ 19 milhões em relação ao trimestre imediatamente anterior (jul-ago-set/2025), quando o valor era de R$ 4.5 bilhões. Quando comparada ao mesmo período de 2024, de 4.1 bilhões, a expansão é significativamente maior, registrando um aumento real de 11,3%, o que equivale a uma injeção adicional de R$ 469 milhões na economia amazonense no intervalo de um ano.

Taxa Composta de Subutilização da Força de Trabalho

De acordo com a metodologia da PNAD Contínua do IBGE, a População Subutilizada é um indicador abrangente que busca medir a carência de trabalho na sociedade, indo além da simples taxa de desemprego.

A taxa de subutilização oferece um diagnóstico mais fiel da saúde do mercado de trabalho. Muitas vezes, a taxa de desemprego pode cair apenas porque as pessoas pararam de procurar emprego (desalento), o que não significa que a situação melhorou. A subutilização “captura” essas pessoas que o indicador de desemprego tradicional ignora.

A População Subutilizada Total no 4º trimestre de 2025 foi de 303 mil pessoas. Para calcular a taxa, divide-se esse valor pela Força de Trabalho Ampliada, somando a População na Força de Trabalho (1.964 mil) com a Força de Trabalho Potencial (104 mil), totalizando 2.068 mil pessoas. O resultado é uma taxa de 14,65%.

Pessoas Desalentadas

A População Desalentada somou 51 mil pessoas no 4º trimestre de 2025. Ao calcular sua representatividade frente à Força de Trabalho Ampliada (2.068 mil pessoas), o percentual de desalentados é de 2,47%. Ao comparar com o 3º trimestre de 2025, houve um aumento no contingente de pessoas em situação de desalento, que subiu de 44 mil para 51 mil, representando um crescimento expressivo de 15,9% (aproximadamente, conforme os valores absolutos).

O movimento indica que, embora a subutilização geral tenha caído, um grupo maior de pessoas desistiu de procurar emprego por acreditar que não encontraria ocupação, o que acende um alerta sobre a confiança do trabalhador no mercado local.

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Com informações do IBGE