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Contribuintes do Amazonas pagaram R$ 5,2 bilhões em impostos em janeiro

Ano começou com uma arrecadação 13% maior que em dezembro, segundo o Impostômetro

Foto: Divulgação

O ano começou com os cofres públicos arrecadando mais impostos do contribuinte amazonense. Em janeiro, foram pagos R$ 5,2 bilhões em tributos, uma alta de 13,5% em relação a dezembro, de acordo com o Impostômetro, plataforma da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que acompanha a arrecadação em tempo real.

O desembolso coloca o estado como terceiro maior arrecadador da Amazônia, atrás apenas do Pará e de Mato Grosso. Em todo o país, os brasileiros pagaram R$ 427 bilhões no período.

Estado Total em impostos pagos (R$)
Pará 6.533.805.343.074 bi
Mato Grosso 6.246.069.087.008 bi
Amazonas 5.282.071.140.006 bi
Maranhão 4.058.411.612.066 bi
Rondônia 1.840.732.691.098 bi
Tocantins 1.525.606.450.044 bi
Acre 695.934.672.082 mi
Amapá 565.712.990.030 mi
Roraima 540.986.912.095 mi

Grande parte do imposto pago é relativo ao ICMS, principal tributo estadual, impulsionado pelo comércio, pelos serviços e pela atividade do Polo Industrial de Manaus, além do ISS, recolhido pelos municípios.

Na capital amazonense, a arrecadação municipal chegou a R$ 216 milhões no mês. Itacoatiara (R$ 6,1 milhões) e Coari (R$ 4,8 milhões) aparecem na sequência.

Efeito calendário

Para a contadora Maria Rita Pessoa, o aumento não significa necessariamente um salto no consumo.

De acordo com ela, o resultado reflete o chamado “efeito caixa”: vendas realizadas em dezembro — período tradicionalmente aquecido pelo Natal — são recolhidas apenas no mês seguinte.

Maria Rita Pessoa

Além disso, janeiro concentra pagamentos de tributos como IPVA e IPTU, o que eleva temporariamente a arrecadação. “Janeiro costuma ser o mês que mais arrecada devido a concentração de pagamentos, pois é no início do ano que são lançados outros impostos e contribuições que não são somente sobre as vendas e serviços como IPVA, IPTU, entre outros”, afirma.

Em dezembro, o Amazonas havia recolhido cerca de R$ 4,65 bilhões. Em janeiro, o total subiu para R$ 5,28 bilhões.

Uso político dos números

Maria Rita também chama a atenção para o fato de que, em anos eleitorais, como em 2026, os dados de arrecadação costumam ser utilizados como discurso político, muitas vezes de forma “distorcida”, o que exige uma análise ainda mais cuidadosa por parte da sociedade.

Contribuintes do Amazonas pagaram R$ 5,2 bilhões em impostos em janeiro

Segundo ela, números mais elevados não significam, necessariamente, crescimento econômico consistente nem melhora na distribuição de renda, podendo refletir, na prática, apenas o aumento da carga tributária ou até mesmo os efeitos de uma inflação mais alta, do ponto de vista econômico.

“Os Governos podem dizer que a economia está forte, que arrecadamos mais. No entanto, são inúmeros fatores que contribuem para isso todos os anos independentemente de ser ano político. E nesse ponto, entramos num contexto um pouco mais complexo pois uma maior arrecadação quer dizer maior capacidade de gastos. Em ano político isso acarreta outros pontos a serem questionáveis como obras, programas sociais e até mesmo reajustes de benefícios”, explica.

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