Economia
Cinco momentos que marcaram a economia do Amazonas em 2025
Relembre quais movimentos econômicos impactaram o estado
O ano de 2025 foi decisivo para a economia do Amazonas, com anúncios de investimentos, crescimento de indicadores econômicos e avanços na agenda industrial. Veja os cinco principais acontecimentos que impactaram o desempenho econômico do estado ao longo do ano.
1- Avanços na defesa da Zona Franca de Manaus

Ao longo de todo o ano de 2025, a Zona Franca de Manaus (ZFM) esteve no centro das discussões relacionadas à reforma tributária. Com a implementação gradual das mudanças aprovadas pela Emenda Constitucional nº 132/2023, o debate se concentrou na preservação dos incentivos fiscais que sustentam o modelo econômico do Amazonas.
Durante o ano, o governo do estado, a bancada federal e representantes do setor produtivo atuaram para garantir que a ZFM mantivesse seu tratamento tributário diferenciado, especialmente no que diz respeito à competitividade do Polo Industrial de Manaus frente a outros centros produtivos do país.
As definições asseguraram maior previsibilidade para as empresas, fator considerado essencial para decisões de investimento de médio e longo prazo. A manutenção da segurança jurídica do modelo foi apontada como um dos pilares para a continuidade das operações industriais, preservação de empregos e atração de novos projetos ao estado.
Em avaliação sobre o tema, o economista e vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, destacou que 2025 foi um período de amadurecimento institucional:
“2025 foi o ano em que o Amazonas entendeu que a reforma tributária não é um evento, mas um processo, e que a preservação da Zona Franca depende de capacidade de articulação contínua em Brasília, com leitura técnica e política do texto”, afirmou o economista.
2- Desempenho do Polo Industrial de Manaus

Durante 2025, o Polo Industrial de Manaus apresentou crescimento na produção, no faturamento e no número de trabalhadores, conforme dados divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Os setores de duas rodas, eletroeletrônicos e bens de informática concentraram os melhores desempenhos.
A ampliação de turnos em algumas fábricas, aliada à retomada de investimentos, reforçou o papel do PIM como principal motor da economia amazonense e base da arrecadação estadual.
O desempenho ao longo do ano indicou maior estabilidade da atividade industrial, mesmo diante de desafios logísticos e do cenário nacional de transição tributária.
Sobre esse movimento, Nelson Azevedo avaliou que os resultados reforçam a importância do modelo
“Apesar das incertezas macroeconômicas nacionais, o PIM mostrou resiliência, reforçando que a Zona Franca segue sendo o coração econômico do estado e uma âncora de estabilidade de emprego e arrecadação”, destacou.
3- Honda anuncia investimento bilionário

Em outubro de 2025, a fabricante de motocicletas Honda anunciou um investimento de R$1,6 bilhão em suas operações no Brasil até 2029. O aporte confirmou a importância estratégica da unidade instalada no Polo Industrial de Manaus, responsável por grande parte da produção nacional da empresa.
O plano de investimentos prevê a ampliação da capacidade produtiva, com possibilidade de atingir 1,6 milhão de motocicletas por ano a partir de 2026. A expansão está diretamente relacionada ao crescimento da demanda no mercado brasileiro.
Além do aumento da produção, a Honda anunciou a expectativa de criação de cerca de 350 novos empregos diretos em Manaus, impulsionado pela alta demanda.
O professor e coordenador do curso de Economia da Universidade do Estado do Amazonas, Armando Clóvis, avaliou o anúncio como demonstração de confiança empresarial no modelo:
“O investimento de R$1,6 bilhão da Honda é a certeza de que a competitividade da Zona Franca de Manaus vai se manter. Empresário investe onde tem retorno. Esse aporte amplia a capacidade de produção, moderniza a fábrica e sinaliza que há confiança no futuro do modelo”, afirmou.
4- PIB do Amazonas registra crescimento no terceiro trimestre

Em dezembro de 2025, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) divulgou que o Produto Interno Bruto do Amazonas cresceu 1,87% no terceiro trimestre do ano, já descontada a inflação medida pelo IPCA.
O resultado refletiu o desempenho positivo da indústria, do comércio e dos serviços.
O crescimento indicou a recuperação gradual da atividade econômica no estado, com impacto direto na geração de empregos e na renda.
Para Armando Clóvis, o desempenho mostra que os efeitos da Zona Franca se expandem para outros setores:
“O Amazonas não cresceu apenas pela produção fabril. Houve transbordamento para comércio, logística e serviços, ajudando a manter empregos e renda”.
5- Codam fecha o ano com o melhor resultado em cinco anos

Em dezembro de 2025, o Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) encerrou o ano com 320 projetos aprovados, alcançando o melhor desempenho dos últimos cinco anos.
Segundo balanço com base em dados da Sedecti e do Codam, os projetos aprovados ao longo do ano representam cerca de R$7,9 bilhões em investimentos previstos, com expectativa de geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.
O volume reforçou a confiança do setor produtivo no ambiente econômico do estado.
Entre os destaques, a 316ª reunião do Codam, realizada em outubro, aprovou 71 projetos, que juntos somaram aproximadamente R$1,4 bilhão em investimentos, um dos maiores volumes concentrados do ano.
Já na última reunião de 2025, projetos industriais nas áreas de componentes eletrônicos, tecnologia e insumos industriais se destacaram pelos aportes financeiros e pela geração de empregos.
Sobre os números, Armando Clóvis avaliou:
“Esse volume de projetos aprovados é um retrato da confiança no modelo. Mostra que a economia estadual está consolidada e que a reforma tributária não trouxe impacto negativo para os investimentos.”
Economia amazonense fecha ano em trajetória positiva
Com esses movimentos, 2025 se sucedeu como um ano de ajustes, consolidação institucional e retomada de expectativas para a economia amazonense. Entre avanços industriais, volume expressivo de investimentos e a manutenção das condições que sustentam a competitividade da Zona Franca de Manaus, o estado encerra o período com um ambiente econômico favorável e com o desafio de transformar esse ciclo de confiança em resultados duradouros para a população.
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