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Bioinovação aposta em resíduos e espécies amazônicas para desenvolver novos produtos industriais

Tecnologias selecionadas incluem extratos de açaí, ingredientes de buriti, óleos vegetais e biopolímeros para aplicações em diferentes setores

Foto: Anna Carolina Negri / iStock

A rota da bioeconomia amazônica ganha impulso estratégico com a divulgação das dez propostas tecnológicas selecionadas pelo Desafio Bioinovação Amazônia. Realizada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), por meio da ZÔMA — geradora de negócios criada em 2025 —, a chamada internacional mobilizou aproximadamente 500 inscrições oriundas de mais de 80 países, afunilando em uma rigorosa jornada de capacitação e pitch days.

Com financiamento do Bezos Earth Fund e parceria da Penn State University, o programa opera sob a premissa da inovação aberta. Nesse arranjo, as reais necessidades das indústrias e as oportunidades apontadas pelas comunidades tradicionais orientam diretamente a pesquisa científica e o desenvolvimento de produtos de alto valor agregado.

Da Matéria-Prima ao Insumo Tecnológico

As dez tecnologias escolhidas por bancas especializadas cobrem frentes estratégicas para os setores de cosméticos, ingredientes funcionais, saúde e novos materiais, dando nova utilidade à biodiversidade regional:

  • Valorização de Resíduos: A BioExtrativa aposta na conversão sustentável de caroços de açaí em extratos bioativos, enquanto outra frente aproveita os resíduos do buriti para obtenção de ingredientes cosméticos ricos em carotenoides.

  • Amidos Funcionais: O desenvolvimento de modificadores sensoriais a partir da farinha de babaçu e a criação da plataforma BioGel — voltada à preservação do açaí e à extração de compostos — destacam o potencial tecnológico dos amidos da região.

  • Otimização de Óleos Amazônicos: Um coquetel multienzimático proposto para a extração do óleo de buriti conseguiu mais do que duplicar o rendimento e preservar compostos bioativos. No campo da silvicultura inteligente, a Oiru Bio combina sensores não invasivos e softwares para rastrear espécies oleaginosas, como a copaíba, sem danificar as árvores.

  • Aplicações em Saúde e Cosméticos: O ecossistema de inovação contempla ainda microagulhas poliméricas dissolvíveis para liberação cutânea de bioativos, nanorrepelentes à base de andiroba e copaíba, nanofibras biodegradáveis para cicatrização (BioSpin NanoLift) e biopolímeros voltados ao cuidado avançado da pele (Cahuchu Elixir).

Governança e Cocriação Territorial

Um dos diferenciais competitivos do programa é a participação ativa de organizações comunitárias — a exemplo da COOPEACRE (Acre) e da Vem do Xingu (Pará) — na concepção dos desafios tecnológicos. A estratégia assegura que os saberes tradicionais e as demandas produtivas locais guiem o desenvolvimento tecnológico, contando também com análises do Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras (Firjan) e parcerias com o IPT, o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e marcas globais de mercado.

Próximos Passos e Fomento

Com as equipes definidas, o programa avança agora para as etapas de validação tecnológica, residência na Amazônia e acesso a infraestrutura de laboratório. O projeto assegura recursos de aproximadamente R$ 100 mil por equipe para a validação comercial, além de uma premiação final de R$ 450 mil dividida entre os três melhores projetos.

A iniciativa consolida um modelo no qual a floresta em pé, a ciência de ponta e a força dos territórios caminham juntas para estruturar uma bioeconomia competitiva, inclusiva e geradora de impacto socioambiental positivo na Amazônia.