MENU
Buscar

Reforma Tributária exige revisão de preços e margens da indústria de Manaus, aponta Cieam

Cieam debate impactos do IBS e da CBS sobre a formação de preços, a gestão de créditos e o fluxo de caixa das empresas

Foto: Divulgação

Os reflexos práticos da Reforma Tributária sobre a precificação de produtos, as margens operacionais e a saúde financeira das empresas integraram o centro dos debates da 39ª Reunião da Comissão Cieam de Tributos, realizada de forma virtual, nesta quarta-feira (7). 

O encontro reuniu executivos e especialistas para analisar os principais desafios enfrentados pelas indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) na transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo, centrado no IBS e na CBS. 

A abertura do fórum técnico evidenciou a importância de antecipar soluções para o setor produtivo regional, com destaque para a avaliação do presidente executivo do Cieam, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, sobre a alta qualificação técnica dos associados presentes para orientar o mercado neste momento de transição.

Precificação Estratégica e o Cenário de Tributação

Durante a condução dos debates, o coordenador da comissão, Moisés Silva, enfatizou a urgência de tratar a formação de preços sob uma ótica estritamente estratégica e de posicionamento de mercado. 

Segundo ele, o grande desafio recai sobre a apreensão do mercado em calcular e demonstrar o preço líquido diante das novas regras de tributação. 

“O grande foco das nossas discussões é a precificação estratégica à luz da regulamentação da reforma. Existe uma forte apreensão em todo o mercado sobre como calcular e demonstrar o preço líquido diante das regras de tributação por dentro versus por fora. Grandes corporações já começam a sinalizar suas políticas para os próximos exercícios, mas muitos elos da cadeia (de fornecedores a varejistas) ainda enfrentam incertezas. Nosso objetivo na comissão é municiar o associado com clareza para que a formação de preços seja tratada como estratégia de negócio, resguardando a competitividade do nosso polo”, afirmou Moisés. 

Mudança de Paradigma e Gestão de Créditos

A advogada e especialista em Direito Tributário, Dra. Mary Elbe Queiroz, alertou que a reforma impõe uma profunda transformação operacional nas companhias, onde a prioridade nas compras deixa de ser apenas a busca pelo menor preço e passa a focar na liquidez e na garantia do crédito vinculado ao efetivo pagamento.

“A reforma tributária não se resume a trocar alíquotas ou nomes de tributos; ela altera a própria forma de fazer negócios. Antes, a prioridade nas compras era encontrar o menor preço; agora, a prioridade passa a ser o maior crédito e a garantia da sua liquidação. Com o imposto por fora e o crédito vinculado ao efetivo pagamento, a precificação deixa de ser uma decisão isolada da equipe comercial e passa a envolver diretamente a controladoria, o caixa e o capital de giro. Qualquer falha de cálculo ou glosa de crédito recairá diretamente sobre a margem da empresa. Além disso, para a Zona Franca de Manaus, será crucial calibrar a gestão de créditos presumidos e renegociar contratos de longo prazo com inteligência e ferramentas tecnológicas ágeis”, salientou a tributarista. 

Com essa alteração, a precificação deixa de ser uma decisão isolada da área comercial e passa a exigir alinhamento direto com a controladoria, o fluxo de caixa e o capital de giro, visto que qualquer falha de cálculo ou glosa de crédito recairá de forma direta sobre a margem de lucro da empresa. 

Para as operações instaladas na Zona Franca de Manaus, torna-se imprescindível calibrar a gestão de créditos presumidos e repactuar contratos de longo prazo com o auxílio de inteligência e agilidade tecnológica. 

A programação contou ainda com apresentações técnicas voltadas a soluções de ciência de dados e inteligência fiscal para auditorias em tempo real, reforçando o papel histórico do Cieam em liderar o debate técnico e antecipar cenários de governança para as indústrias associadas.