Economia
Com retração no Amazonas e no Pará, economia da Região Norte desacelera no trimestre
Setor de serviços e campo sustentam estabilidade do PIB na Região Norte
Foto: Divulgação/GRM
O Produto Interno Bruto (PIB) da região Norte registrou alta de 0,2% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem abaixo da média nacional, que avançou 2,0% segundo as Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. Os dados fazem parte de uma iniciativa experimental do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE para monitorar a economia regional.
Enquanto a maioria dos estados nortistas apresentou variações positivas, apenas Roraima (2,9%) e Rondônia (2,9%) superaram a taxa nacional. Por outro lado, o desempenho regional foi fortemente puxado para baixo pelas retrações econômicas registradas no Amazonas (-0,8%) e no Pará (-0,2%), que juntos respondem por mais de 60% do PIB de toda a região.
Setores em destaque e o peso da indústria
O estudo detalha que o valor adicionado de todas as grandes atividades econômicas no Norte ficou abaixo da média do país, com destaque negativo para o setor industrial, que recuou -1,3% na região (enquanto o Brasil cresceu 1,5%).
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Indústria: A retração foi impulsionada pelo desempenho negativo da indústria de transformação amazonense — com quedas na fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos — e pela redução planejada nas indústrias extrativas no Pará, conforme relatórios da Vale.
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Serviços: O setor funcionou como o principal sustentáculo da economia nortista no período, impulsionando o PIB do Acre, Roraima, Amapá e Tocantins, além de atenuar as perdas industriais no Amazonas e no Pará.
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Agropecuária: Teve destaque absoluto em Rondônia e Roraima, com expansão disseminada em segmentos como pecuária bovina, milho, soja e café.
Perspectivas e desafios econômicos
Para o fechamento de 2026, a expectativa é de desaceleração econômica tanto no cenário nacional quanto na Região Norte, com indicadores do primeiro semestre abaixo da média observada no biênio anterior.
Analistas apontam um conjunto de desafios macroeconômicos que tendem a deixar os agentes econômicos mais cautelosos, incluindo o patamar elevado da taxa de juros, o endividamento das famílias, pressões inflacionárias ligadas aos combustíveis e o risco de impacto nos preços dos alimentos devido aos efeitos do fenômeno El Niño, além das incertezas inerentes a um ano eleitoral.

