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Contratos para obras na BR-319 somam R$ 917 milhões em três meses

Entre julho e setembro de 2026, repasses federais movimentam a BR-319

Foto: Luiz Felipe Santos/DPE-AM

O volume de recursos destinados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) à BR-319 atingiu a marca de R$ 917,45 milhões entre julho e setembro de 2026, conforme levantamento em atos publicados no Diário Oficial da União. Os investimentos concentram-se em projetos de engenharia, restauração e melhorias estruturais na principal rota rodoviária que conecta Manaus ao restante do país.

O maior aporte do período foi formalizado em setembro, totalizando R$ 584,9 milhões divididos em dois lotes para intervenções de pavimentação em 123,4 quilômetros da rodovia (entre os km 346,2 e 469,6).

Desse total, R$ 402,4 milhões foram direcionados à LCM Construção e Comércio S.A. para um trecho de 86,9 quilômetros, enquanto os R$ 182,4 milhões restantes contemplam os 36,5 quilômetros subsequentes sob responsabilidade da Construtora Meirelles Mascarenhas Ltda., com vigência estipulada até fevereiro de 2029.

Panorama dos repasses e histórico corporativo

Os dados consolidam um trimestre de movimentações expressivas para a via, destacando-se o contrato de R$ 3,4 milhões firmado em julho para a elaboração de projetos básicos e executivos de restauração em um trecho de 61,6 quilômetros; o acordo de R$ 329,1 milhões em agosto para projetos e execução de obras remanescentes de reconstrução; e o aporte de R$ 584,9 milhões em setembro para melhorias de pavimento, além da liberação de um crédito suplementar de R$ 10 milhões pelo Governo Federal para investimentos na via.

As empresas vencedoras dos recentes contratos possuem histórico de apurações em órgãos de controle e fiscalização: a LCM Construção e Comércio S.A. integra desde dezembro de 2025 um processo administrativo instaurado pelo Cade para investigar suspeitas de cartel em licitações rodoviárias entre 2016 e 2024, sem condenação definitiva até o momento, enquanto a Construtora Meirelles Mascarenhas acumula registros passados de pendências apontadas pelo Ibama e pelo TCU em obras de infraestrutura.

Desafios socioambientais na Amazônia Central

A retomada e expansão das obras na BR-319 recolocam no centro do debate público o desafio de balancear a integração logística regional com a preservação de uma das zonas mais intactas da floresta amazônica. A rodovia corta áreas onde a cobertura de vegetação nativa supera expressivos índices de conservação.

Nesse sentido, modelagens técnicas e análises do Ministério do Meio Ambiente apontam que a melhoria da infraestrutura viária pode induzir pressões sobre a fronteira agrícola, projetando cenários de desmatamento acumulado e elevação expressiva nas emissões de gases de efeito estufa até 2050.

Paralelamente, estudos metagenômicos recentes conduzidos no interflúvio Purus-Madeira alertam para riscos de biossegurança, identificando genes de resistência a antimicrobianos em microrganismos do solo — um fator que, segundo especialistas, reforça a necessidade de rigorosos planos de monitoramento diante do potencial aumento da circulação humana e da supressão vegetal na região.