Indústria
Novamed expande fábrica em Manaus com aporte de R$ 300 milhões e prevê 840 novos empregos
R$ 270 milhões foram direcionados à expansão da fábrica e R$ 27,5 milhões ao novo Centro de PD&I
Foto: Divulgação/Suframa
A Novamed, empresa do Grupo EMS — líder do setor farmacêutico brasileiro —, inaugurou nesta quinta-feira (10) a expansão de seu complexo fabril e seu novo Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) no Polo Industrial de Manaus (PIM). Primeira indústria farmacêutica a fabricar medicamentos na Zona Franca de Manaus (ZFM), a partir de 2014, a unidade concluiu um pacote global de investimentos de R$ 300 milhões que combina ganho de escala industrial, avanço tecnológico e qualificação profissional na região.
A cerimônia contou com a presença de autoridades e lideranças do setor, como o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; o senador Eduardo Braga; e o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle. Representando o Grupo EMS, estiveram presentes o presidente do Conselho de Administração, Carlos Sanchez; o vice-presidente, Gabriel Sanchez; e a diretora executiva de Relações Institucionais, Juliana Megid.
Do aporte total de R$ 300 milhões, R$ 270 milhões foram direcionados à expansão da fábrica e R$ 27,5 milhões ao novo Centro de PD&I, que contou com aporte do BNDES. Os recursos viabilizaram a reforma do prédio dedicado ao Centro de PD&I, a aquisição de equipamentos de ponta, a ampliação do laboratório analítico e a implantação de uma planta-piloto.
A nova estrutura permite produzir lotes experimentais e testar insumos sem interromper a linha de produção contínua da fábrica. Ao todo, a rede de PD&I do Grupo EMS reúne mais de 1,5 mil pesquisadores, sendo cerca de 155 doutores (PhDs).
“É muito emocionante ver o que construímos aqui em Manaus. Essa fábrica foi planejada há cerca de 12 anos e seguimos investindo para expandir nossa capacidade. Somos uma empresa brasileira e empreendedora, com mais de 60 anos de história, que nasceu em São Paulo, cresceu no Brasil e hoje avança no mercado internacional”, destacou Carlos Sanchez, do Grupo EMS.
Salto em escala industrial e capacidade produtiva
A ampliação física elevou a área fabril em 30% e impulsionará a capacidade produtiva da unidade. Com uma média mensal anterior de 1,7 bilhão de comprimidos (20,4 bilhões ao ano), a fábrica projeta alcançar 2,5 bilhões de unidades por mês (30 bilhões ao ano), o que representa um salto operacional de 47,1%.
Em 12 anos de atuação no PIM, a Novamed já produziu aproximadamente 129 bilhões de unidades de medicamentos sólidos. A planta de Manaus atende cerca de 80% da demanda do Grupo EMS por medicamentos sólidos — incluindo cápsulas, drágeas e comprimidos —, mantendo 1.101 SKUs ativos e operando 24 horas por dia em três turnos.

Soberania tecnológica e impacto na saúde pública
A expansão fabril e o desenvolvimento tecnológico trazem impacto direto à saúde pública e à soberania tecnológica do país. A nova estrutura fortalece a produção nacional de soluções terapêuticas, integrando a estratégia global de inovação do Grupo EMS — responsável também pelo desenvolvimento da primeira caneta emagrecedora 100% brasileira. Embora o dispositivo não seja fabricado na unidade de Manaus, mas sim na unidade de Hortolândia (SP), ele se destaca como um dos principais avanços do portfólio da farmacêutica no país.
“Essa aqui é a primeira caneta emagrecedora 100% desenvolvida no Brasil, de acesso à população, e já é líder do mercado da semaglutida. Quando expirou o prazo da patente, a Anvisa e o Ministério da Saúde convocaram empresas no Brasil e no mundo para apresentar o pedido de registro, e a primeira foi essa. Eu sei o quanto vocês estão investindo e temos convicção de todo o esforço feito para que o Brasil assumisse a tecnologia dessa produção”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Ao todo, o Grupo EMS soma nove registros aprovados pela Anvisa para medicamentos análogos ao GLP-1 (com os princípios ativos semaglutida e liraglutida). O domínio dessa plataforma tecnológica pela empresa reduz em até três vezes o custo final em relação às versões importadas, ampliando a concorrência e democratizando o acesso a tratamentos contra a obesidade e o diabetes tipo 2 no Brasil, além de abrir caminho para futuras pesquisas em oncologia e outras doenças crônicas.
Geração de empregos e capacitação local
Além dos ganhos científicos e de escala, o projeto traz relevante impacto socioeconômico para o Amazonas.
A Novamed conta atualmente com 1.160 colaboradores e planeja criar cerca de 840 novos postos de trabalho nos próximos dois anos, atingindo a marca de 2 mil trabalhadores — um crescimento de mais de 72% no quadro de pessoal. Para preparar essa mão de obra, a empresa mantém a Escola de Operadores em parceria com o Senai, oferecendo capacitações para formar novos profissionais locais na indústria farmacêutica.

