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Caloi investiu R$ 50 milhões nos últimos 7 anos em Manaus e aposta em bikes elétricas para crescer

Marca icônica de bicicletas reforça os modelos de varejo e acelera no segmento elétrico, com modelos como a nova Mobylette

Ícone da indústria brasileira de bicicletas e com produção em Manaus há mais de 50 anos, a Caloi atualizou sua estratégia de mercado e aposta nas bicicletas elétricas como um dos caminhos para retomar o crescimento. Nos últimos sete anos, a marca investiu cerca de R$ 50 milhões na modernização da fábrica instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM).

“Temos como um dos pilares para o crescimento da Caloi, a bike elétrica”, afirmou o diretor industrial da Caloi, Átila Valadares, em entrevista exclusiva à PIM Amazônia.

A estimativa da companhia é que, em 2027, os modelos elétricos representem cerca de 12% da produção da Caloi em Manaus. Segundo Valadares, a unidade foi preparada acompanhar esse avanço.

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Átila Valadares, diretor industrial da Caloi. – Foto: Jhemisson Marinho

“Estamos evoluindo na bicicleta elétrica e a previsão para o ano que vem é de uma produção bem alta. A fábrica foi bem preparada para isso. O Grupo PON investiu para que a fábrica de Manaus ficasse no mesmo patamar de qualidade, de nível de excelência das fábricas da Europa”, disse.

Uma das apostas é o modelo E-Vibe Lift, lançado em julho e já com a primeira rodada de vendas esgotadas. A fábrica de Manaus já trabalha em outras rodadas de produção.

Outra frente é o relançamento da Mobylette, sucesso nas décadas de 1980 e 1990, que volta agora em duas versões elétricas. A novidade será anunciada na Shimano Fest, evento que começou nesta quinta-feira (20) e segue até domingo (23), em São Paulo, considerado o maior do tipo na
América Latina.

De origem brasileira, fundada pelo italiano Luigi Caloi, a marca foi comprada em 2013 pela canadense Dorel Sports e, desde 2022, pertence à holandesa Pon Holdings, uma das maiores fabricantes de bicicletas do mundo e dona de marcas como Cannondale e GT.

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Caloi começou a produzir em Manaus em 1975 | Foto: Jhemisson Marinho

Investimento na fábrica

A equipe da PIM Amazônia conheceu de perto todo o processo de produção das bicicletas da Caloi em Manaus.

A planta industrial passou por modernização nos últimos anos, com investimentos em equipamentos como máquinas de corte a laser, novas máquinas de soldagem, linha de pintura líquida, tratamento térmico, novas linhas de montagem, máquinas de montagem de rodas e melhorias de ergonomia e refrigeração do galpão.

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“A tecnologia dos equipamentos é praticamente a mesma”, afirma o executivo.

Com produção em Manaus desde 1975, a Caloi tem capacidade para produzir 600 mil bicicletas por ano, em três turnos, e ocupa uma área de 33 mil metros quadrados. A empresa emprega cerca de 400 pessoas, contando com o escritório em São Paulo.

De acordo com o diretor, a fábrica reúne todos os principais processos de fabricação de uma bicicleta, da preparação dos tubos (estampagem) à soldagem, tratamento térmico, pintura, montagem de roda e montagem final.

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Ícone da indústria brasileira de bicicletas e com produção em Manaus há mais de 50 anos | Foto: Jhemisson Marinho

Foco no varejo

Além do avanço das bikes elétricas, a Caloi mudou recentemente sua estratégia comercial e voltou a reforçar os chamados modelos de varejo.

Em 2022, a marca havia concentrado sua estratégia em modelos premium, de maior valor agregado, como bicicletas de alumínio e de carbono, com foco no mercado especializado.

Agora, a companhia decidiu retomar espaço nos segmentos de maior volume, uma mudança recente, tomada no segundo trimestre de 2026. “Continuamos com as bikes de alto valor agregado. Mas vamos focar muito nesses dois pilares: bike elétrica e bike de varejo”, afirmou.

Para sustentar a estratégia, a Caloi fez contratações consideradas estratégicas e voltou a se aproximar de antigos clientes. Segundo ele, os primeiros resultados já começaram a aparecer.

“Percebemos que o mercado sabe da nossa volta e enxerga isso com visões diferentes. Do lado do cliente, com alegria, com a busca por Caloi de novo. Do lado do concorrente, nem tanto”, disse.

Para o diretor, a força da marca ainda é um ativo importante para a retomada. “Todo mundo tem uma história com a Caloi. E aqui tem pessoas boas para construir esse cenário de novo. Tem uma fábrica que está muito bem preparada”, pontua.

O mercado de bicicletas não conta com estatísticas oficiais consolidadas sobre a participação de mercado de cada uma das marcas, como ocorre nas vendas de carros e motocicletas. No geral, segundo a Associação Brasileira de dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o Brasil é o quarto maio produtor mundial de bicicletas.

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Fonte: PIM Amazônia

A produção anual é estimada no mercado em torno de 4 milhões, dos quais 500 mil são das associadas da Abraciclo no Polo Industrial de Manaus.

O efeito Mobylette

Com autonomia de até 60 quilômetros por carga e velocidade de até 32km/h no modelo mais básico, a nova Mobylette é uma das principais apostas da Caloi para reforçar a presença no segmento de mobilidade.

Lançada originalmente em 1975, mesmo ano em que a empresa começou a produzir na Zona Franca, o modelo chegou a ser relançado em 2022, antes da atual expansão dos veículos eletrificados.

Agora, a Caloi apresenta ao mercado duas versões da Mobylette. A primeira com quadro de aço e preço mais acessível, será apresentado na Shimano Fest.

A segunda, com quadro de alumínio e componentes mais sofisticados, deve ser lançada em um segundo momento. “Eu e a diretoria estamos muito confiantes com este novo momento”, afirma o diretor industrial.

O avanço das bikes elétricas aparece no balanço da produção das associadas da Abraciclo. Em 2026, foram produzidas 43.107 unidades deste tipo, um aumento de 77,3% em relação ao mesmo período de 2025.

A categoria passou a representar 21,5% da produção total de bicicletas e se consolidou como a segunda mais fabricada no Polo Industrial de Manaus.

Duas de cada 10 bikes da Zona Franca já são elétricas

O Polo Industrial de Manaus está vendo uma mudança chegar a passos largos no setor de bicicletas.

Em 2026, o segmento de bikes elétricas já representa 2 em cada 10 unidades que saem das fábricas da Zona Franca. Ao todo, o setor de Duas Rodas produziu 200 mil unidades desde janeiro, entre bicicletas tradicionais e elétricas.

A capital do Amazonas reúne 14 fabricantes, segundo registros de produtos acompanhados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Destas, apenas um não produz modelos elétricos.

Entre os nomes de peso estão Caloi, Specialized, Sense e Oggy, apontada como líder do mercado entre as associadas da Abraciclo.

E o crescimento tem atraído novos investimentos, como é o caso da Colli Bike, que confirmou a implantação de uma fábrica em Manaus durante a Eletrolar Show, em junho.

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Fonte: PIM Amazônia

A fabricante é a maior da América Latina e está construindo uma planta industrial dedicada, inicialmente, à linha elétrica.

Ainda em junho, a Specialized apresentou o plano estratégico para sua fábrica durante uma visita da comitiva da Suframa. Na ocasião, a empresa informou planos para expandir as operações e aumentar a capacidade produtiva em Manaus, onde opera há 6 anos.